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( 27/01/2017 ) Cobertura morta beneficia solos e cultivos ecológicos
 


Colaboraram: Alinise Longhi e Cesar Volpato

Há menos de quatro anos, por meio de um projeto do Centro Ecológico de Ipê, a família de Jocemara Manera, Jocemar Dal Molin e Wesley Manera da Silva experimentou um picador de folhas e galhos na propriedade de 5,3 hectares em Nova Roma do Sul, município na Serra do Rio Grande do Sul. No início o picador servia apenas para triturar restos de matérias vegetais, mas os resultados da experiência levaram a família a comprar seu próprio picador - na verdade um equipamento antigo de silagem -, e a usar a cobertura morta nas hortas e nas duas estufas onde são produzidas cerca de 30 variedades de hortaliças.

Essa cobertura é obtida a partir dos galhos de podas realizadas pela prefeitura e, como os materiais são bem variados, em alguns momentos há dificuldade no manuseio devido aos espinhos. São utilizadas também as canas de milho: depois da colheita das espigas, o caule é triturado no picador.

Segundo a família Dal Molin Manera, a cobertura morta reduz a necessidade de compostos ou estercos - porque a palha que se decompõe já serve de adubação - , aumenta os níveis de matéria orgânica, contribui para a manutenção da vida e estrutura as características físicas do solo. Além de tudo isso, conserva melhor a umidade, reduzindo a necessidade de irrigação, e sufoca a germinação de plantas espontâneas como picão, língua-de-vaca e diversas gramíneas indesejáveis naquele momento da produção.

Benefícios são maiores que os problemas

Para os Dal Molin Manera, mesmo com problemas, a tecnologia é um potencial que pode ser mais explorado, porque os benefícios são maiores. Na propriedade da família, com solo argiloso de boa fertilidade, temperatura média em torno dos 17,3°C e o índice de pluviosidade de 1784mm/ano, um dos maiores desafios no uso de cobertura morta é o aparecimento de lesmas, caracóis e tatus-bola nos períodos mais úmidos do ano, que podem ameaçar plantas como couve-chinesa, couve-folha e alface. Porém, se a infestação é pequena, não causam danos. A família desconhece uma ferramenta de prevenção ao aparecimento desses moluscos, todavia, conforme observou Jocemar parece que depois de completar um ciclo eles também desaparecem .

Mais famílias da Serra já estão usando cobertura morta

Ivo e Bernardette Fochesatto, de Veranópolis, usam a palha que protege as frutas durante o transporte, - existente em grande quantidade nos fruteiros locais-, em 400 m² onde produzem principalmente alface e batata- doce.

Em Ipê, três famílias, com diferentes materiais, estão investindo na tecnologia. Olir e Mareli Simioni, cobrem a área de 300 m² onde produzem alface, brócolis e couve-chinesa com acícula seca de pinus colhida sob floresta de pinus. Odimar e Leoclides Marcon usam maravalha e composto orgânico para produzir cebola, alho e cenoura em 5000 m². Maicon e Zelir Pichetti cultivam alface, chicória e brócolis em 150 m² cobertos com capim colhido de pastagem perene.
Tecnologia requer menos tempo do que capina
A técnica Alinise Longhi, considerou uma mesma área imaginária de horta para comparar o tempo usado na capina sem cobertura com o tempo necessário para implementar a tecnologia. Conforme o cálculo da agrônoma, de maneira geral, o uso da palhada sobre o canteiro, considerando o corte, coleta, distribuição e capinas eventuais, requer 30% do tempo de se fazer a capina (geralmente duas vezes por ciclo de cultura) em canteiro sem cobertura.

Algumas dificuldades observadas

  • Plantar ou transplantar as mudas sobre solo com palhada requer mais experiência

  • Necessário planejar antecipadamente a obtenção de volumes de palhada

  • Dispor de equipamentos adequados (mecanizados) para corte, trituração e distribuição da palhada

  • Ter estudo de tipos de palhada disponíveis na região (resíduos de processos industriais)

  • Estudo de espécies adequadas à produção e manejo de palhada



Benefícios do uso de cobertura de canteiros com palhada

  • Diminui a mão de obra no manejo da horta (capinas)

  • Diminui o uso da canteiradeira (o mesmo canteiro com sucessivas palhadas pode ser manejado por anos seguidosem necessitar de canteiradeira) Não incorpora a matéria orgânica no solo evitando, assim, a decomposição da MO (palhada e ou estercos) com presença reduzida de ar

  • Diminui a necessidade de irrigação pois mantém a umidade no solo por maior tempo

  • Mantém o solo com temperatura menos quente

  • Diminui a necessidade de adubação



Princípios básicos do manejo com cobertura de palhada

  • Fazer o canteiro com canteiradeira já incorporando, quando necessário, calcário, pó de rocha, etc.

  • Fazer adubação quando necessário (esterco, compostagem, MO, etc.)

  • Colocar cobertura suficiente de palhada para segurar o crescimento da vegetação espontânea

  • Fazer o transplante das hortaliças “furando a camada de palhada” com objeto pontiagudo

  • Fazer as irrigações necessárias

  • Fazer adubações de cobertura quando necessário (estercos, fermentados, etc.)

  • Fazer capinas eventuais de espécies que passam pela camada de palhada



   
 

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