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( 23/12/2016 ) Prefeito de Mampituba quer acelerar agricultura orgânica no município
 


Foto: Grupo da Suécia em visita à agrofloresta da família Selau

Em 1991, Dirceu Gonçalves Selau foi um primeiros agricultores de Mampituba, município com aproximadamente 3 mil habitantes no Litoral Norte/RS, a abraçar a proposta de produzir banana sem agrotóxicos. De lá para cá, ele e a esposa Lúcia, professora, buscaram compartilhar na comunidade aquilo que, na prática, sabiam que daria certo. A expansão da agricultura ecológica é um exemplo disso. Nesta entrevista, feita no dia 6 de dezembro no Encontro sobre Banana Orgânica em Santa Rosa do Sul/SC, Dirceu fala sobre seus planos, como prefeito, para atividade que já é marca registrada de suas gestões como vice-prefeito e secretário da Agricultura.

Centro Ecológico - O senhor veio ao Encontro (sobre banana orgânica) como agricultor ou como prefeito eleito?
Dirceu Selau Como vice-prefeito e como prefeito eleito. A gente está com vontade de acelerar mais essa questão da agricultura ecológica no município. Já está de bom tamanho, já foi criado, desenvolveu bastante, então a gente está aqui pra fazer que mais agricultores convencionais entrem na transição e possam produzir alimentação saudável

Por que o senhor acha que convencionais poderiam fazer essa transição?
Porque eu vejo que, hoje além de a gente estar defendendo o meio ambiente, fazendo uma agricultura saudável, que venha a defender aquilo que Deus criou pra todos, que é a Terra, que ela produza um alimento pra vida, também é uma questão financeira. O próprio agricultor além de defender o meio ambiente, defender a saúde pública, de qualidade com uma alimentação saudável e nutritiva, ele também está financeiramente rendendo. Porque hoje a agricultura ecológica já não é mais aquela que começou há anos atrás que dizia que dava prejuízo. Hoje não, a questão da agricultura ecológica ela é, todos os agricultores que trabalham ou pelo menos a maioria nessa área eles são organizados e organizados eles fazem suas vendas mais diretamente ao consumidor ou em grandes redes de mercado, que onde a gente pode vender por um preço melhor pro agricultor e também pode vender por preço menor lá pro consumidor, que além de consumir um produto de qualidade, um produto que é nutricional, ele vai pagar menos, e o agricultor receber mais. Então isso tudo é um conjunto de vantagens que existe que desenvolve a criatividade, tira o agricultor da monocultura, de produzir só um tipo de produção. Tira o agricultor dessa ideia de que se não for com veneno não dá e dá, porque os nossos antepassados criaram nossas famílias, diga-se de passagem, famílias com dez, 12 filhos, criaram, ninguém morreu de fome. E eram saudáveis, se alimentavam direito, com produto natural da terra. Hoje não. Hoje o agronegócio produz em alta escala mas é comida que só enche a barriga, não é saudável. E além de tudo, destrói o meio ambiente. Então a agricultura ecológica, no meu ver, é o melhor caminho, a melhor solução pra alimentação, e principalmente a alimentação escolar, paras nossas crianças que hoje precisam d eum tratamento especial, de um cuidado especial pra que no dia de amanhã eles não venham a sofrer esse tipo de doença que hoje acontece aí: câncer, doença de tristeza, doença de depressão, tudo causado por causa do veneno. Então essa é uma luta minha como agricultor ecologista desde 91 e agora mais ainda como um chefe do Poder Executivo, que, se Deus quiser no ano que vem nossa merenda escolar vai ser toda da agricultura ecológica e orgânica.

O senhor tem ideia de quantas famílias em Mampituba estão na produção orgânica?
Perto de 50 famílias já. Três anos atrás, 2013, 2014, 2015, fui também secretário da Agricultura do município. Conheço bem essa realidade, até assumi as duas pastas de vice e secretário da Agricultura porque eu tinha vontade de desenvolver um projeto na área da agricultura voltado pra agricultura ecológica. Em 2013 Mampituba tinha 18 famílias de agricultores ecologistas. Hoje estamos perto de 50 famílias.

Como o senhor avalia esse incremento no número de famílias produzindo orgânico?
Foi um crescimento importantíssimo. Mas isso graças também ao trabalho do Centro Ecológico que nos ajudou muito deu curso de formação pros agricultores, lá no município de graça, 12 aulas diretamente, uma por semana. Foi um conjunto. A gente pôde assessorar bastante como Secretaria da Agricultura. Nós temos um caminhão hoje que comercializa nossa produção. Um caminhão baú pra o Ponto de Colheita em Caxias do Sul, que entrega banana na Coopergesa, a cooperativa do Renato (Leal), que busca caixa que a gente compra pros agricultores. Hoje nós temos um centro que foi criado pelo Orçamento Participativo que é uma associação chamada Frutan. Temos carrinho, caixa, balança, estamos recebendo agora mais três câmaras de climatização e uma câmara fria pra guardar nossos produtos e a ideia é criar uma agroindústria lá, enfim. Temos praticamente certo no ano que vem vamos abrir um ponto de venda na nossa cidade que é pequena, mas para os nossos agricultores venderem a produção pro pessoal que trabalha na prefeitura, que trabalha no comércio. Hoje já tem um grupo que vende pra merenda escolar de Cambará do Sul, tem um grupo que vende em Caxias do Sul, pro Renato, enfim, isso só dentro de Mampituba.

Do Encontro sobre banana orgânica, o que senhor acha que vai sair daqui como resultado, essa questão de território, o senhor considera que é importante, no caso de Mampituba?
Cada reunião, cada encontro que a gente faz pra troca de experiência a gente está ganhando. Se munindo mais de informações do território, porque a gente acabou de ver, o Sul de Santa Catarina e o Litoral Norte do Rio Grande do Sul, praticamente o que separa é o rio Mampituba, porque somos praticamente irmãos, nessa área, bem desenvolvida, tanto do lado de cá quanto do lado de lá, a agricultura ecológica no Rio Grande do Sul tá crescendo a cada dia que passa. Então eu acho que a ideia é ter essa parceria, com os estados que são vizinhos, até porque são bem próximos geograficamente, pra gente poder comercializar, discutir, se organizar. Entao eu vejo que esse curso que começou, que teve palestra sobre desde lá quando começou a agricultura ecológica, as próprias visitas que o André (Gonçalves), fez em outros países, ver a realidade daquelas famílias pobres, que trabalham como antigamente, que produzem só o básico, produz até arroz, na enxada, plantada, ainda, isso é uma coisa que nós não temos mais aqui, nós já estamos bem avançados, até na forma de produzir melhor, então muita gente está atrasada ainda porque a distribuição de renda no mundo hoje é muito pouca, muito pouca gente com a maioria da riqueza, isso é uma coisa que temos que ir melhorando ainda, e, pra melhorar, tem que ser organizadamente. A nossa agricultura familiar, o pequeno agricultor familiar tem que se organizar , tem que participar de grupos, mesmo que seja do lado convencional, tem que estar organizado, porque o grande dominou o comércio. Há um espaço grande no comércio ecológico, porque o grande não tem essa produção. Há um mercado pra explorar , há um espaço pra que mais famílias venham sair do convencional e ir pro ecológico porque financeiramente, pensando na venda, ainda é bem vantajoso.


   
 

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