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( 01/12/2016 ) Mulheres se organizam para ampliar participação nos SPGs
 


Foto: Dinâmicas propostas pela facilitadora Eliziana de Araújo estimularam a reflexão

Agricultoras e técnicas do Uruguai e de nove estados do Brasil debateram a situação das mulheres nos Sistemas Participativos de Garantia (SPGs), durante o Encontro Mulheres e SPGs, promovido pelo Centro Ecológico e Rede Ecovida de Agroecologia no Centro de Formação Pastoral em Dom Pedro de Alcântara, e na propriedade da família Strege Evaldt, em Morrinhos do Sul, nos dias 29 e 30 de novembro. Os SPGs são metodologias de certificação onde famílias agricultoras, consumidores  e entidades de assessoria técnica compartilham a responsabilidade sobre a garantia dos alimentos orgânicos. No Brasil, onde dois terços dos certificados são emitidos por SPGs,  as diferentes instâncias necessárias para creditar um produto como orgânico ainda são ocupadas predominantemente por homens. Mesmo na Rede Ecovida, que emite 20% dos certificados do Brasil, ainda é pouca a participação das mulheres nas coordenações de núcleo,  conselhos de ética e plenárias.

Envolvimento na geração de renda e acúmulo de tarefas inibem participação

Acho que as mulheres não saíram da casca ainda. Elas se preocupam mais em produzir do que estar participando ativamente das discussões, constata a agricultora  Lusmara de Mello, do Núcleo Serra, um dos 28 núcleos da Rede Ecovida. Na opinião da coordenadora do grupo Ecoestrela, de Vacaria (RS),  a partir desse encontro a participação das mulheres nos seus respectivos SPGs pode avançar bastante.

A agrônoma Gláucia dos Santos Marques, da Sempreviva Organização Feminista (Sof), observa que, apesar desse envolvimento na produção e comercialização, ainda é tímida a atividade das mulheres nos processos de decisão e muitas não têm sequer o nome no título das terras. A assessora técnica considera importante a mulher se colocar ativamente nesses espaços, e, para isso, é preciso auto-organização.

Para Ana Luiza Meirelles, do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida, a pouca participação das mulheres na política, nos sindicatos e também nos SPGs, é fruto de desigualdades históricas provocadas, em grande parte, pela divisão sexual do trabalho e pelo acúmulo de tarefas. Na opinião da agrônoma, o olhar das mulheres, que na verdade deram os primeiros passos na agroecologia, tem muito a contribuir na geração de credibilidade dos alimentos orgânicos.

Na avaliação de Elena Murguía, da Red de Agroecologia, do Uruguai, as mulheres lá participam bem mais dos processos decisórios e se envolvem menos na produção, mas o intercâmbio de informações com as representantes brasileiras vai contribuir para melhorar o SPG da Red. Ela e a colega Andrea Etchart ficaram impressionadas especialmente com a Rede Xique-Xique,  com sede em Mossoró, Rio Grande do Norte, que  há 14 anos começou a comercializar numa garagem para fugir do atravessador. São mulheres fortes, que fazem tudo muito bem feito.

Encontro teve a participação de nove SPGs do Brasil e Uruguai

O Encontro Mulheres e SPGs teve apoio da Sociedade Sueca de Proteção à Natureza (SSPN) e a participação dos SPGs Ecoborborema /PB, Associação dos Agricultores Biológicos do Rio de Janeiro, Associação de Agricultura Natural de Campinas (ANC) /SP, Rede Xique-Xique /RN, União de Mulheres Agricultoras (UMA) /SP, Sul de Minas /MG, Brota Cerrado /MG, Rede Ecovida de Agroecologia /PR, SC e RS e Red de Agroecologia (Uruguai). Do Litoral Norte, teve a participação de representantes do núcleo Três Passos da Associação dos Colonos Ecologistas da Região de Torres (Acert) e agricultoras da comunidade de Alto Rio de Dentro, Mampituba.


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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