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( 04/03/2016 ) Estudo de caso sobre a agroecologia no Litoral Norte estimula debate em projeto nacional
 


Atualização em 28 de março de 2016

Mais notícias sobre a Caravana Agroecológica e Cultural Sul

Agricultura agroecológica faz resgate na Mata Atlântica, de Najar Tubino, no site da revista Carta Maior.

Comercialização de orgânicos em debate na Caravana Agroecológica e Cultural da Região Sul de Eduardo Sá, no site da Articulação Nacional de Agroecologia.





Foto: agroindústria na comunidade de Aguapés, Osório, visitada no dia 1. Foto de Ivan de Paula

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A história, processos e políticas públicas que contribuíram para que a Agroecologia conferisse ao Litoral Norte características únicas em relação a outras regiões do Rio Grande do Sul, foram tema de um estudo apresentado dias 1 e 2 de março de 2016, durante a Caravana Agroecológica e Cultural Sul, no Morro da Borrúsia, em Osório. O estudo de caso e a caravana fazem parte do projeto Promovendo a Agroecologia em Rede, da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), e já reuniu agricultores e organizações de assessoria técnica para avaliar o impacto da agroecologia em territórios de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Pernambuco.

No Rio Grande do Sul, o território escolhido foi o Litoral, onde o agrônomo Gustavo Martins pesquisou as propriedades agroecológicas de Maria e Altemir Silveira da Costa, em Mampituba, Sueli e Odi Souza, em Três Forquilhas, e de Cláudia e Paulo Cesar, em Osório, todas produtoras de banana e integrantes do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agrecologia. Entre outros resultados, o estudo mostrou que o sistema ecológico gera mais valor agregado com menos custos de produção, estimula a diversidade de alimentos para consumo e venda, o desenvolvimento de novos produtos - como pães, biscoitos e polpas de frutas nativas-, e a ampliação das alternativas de comercialização. Para Martins, essa diversificação na produção e canais de comercialização é uma das marcas da agroecologia.

Sobre os impactos sociais, ambientais e econômicos da atividade nos territórios, Flávia Londres, da secretaria executiva da ANA, observou que, tanto o estudo sobre o Litoral Norte, quanto os dos territórios de outros Estados, trouxeram resultados que ajudam a refletir sobre por que interessa não só para as famílias agricultoras, mas para toda a sociedade apoiar a Agroecologia. A gente vê que as famílias que ingressaram numa trajetória de transição para agroecologia, elas avançam e tem avançado muito em várias dessas dimensões.

Cutivo ecológico da banana estimula o aproveitamento de outros produtos da agrofloresta

O cultivo da banana, carro-chefe do segmento agrícola da região, é um caso emblemático dos efeitos da transição do sistema convencional, que usa agrotóxicos e fertilizantes químicos, para o ecológico, na vida dos agricultores. Na propriedade de Cláudia e Paulo César Silva, por exemplo, a mudança iniciada há quatro anos trouxe mais diversidade para a produção, reduziu o gasto com insumos e aumentou a renda familiar. César relatou, na visita da caravana a sua propriedade, que no início a experiência em um bananal doente foi só para ver se ia dar certo. Hoje, nem cogita voltar para o sistema convencional, não tem mais dores de estômago, vende a caixa por até R$ 25 reais - a caixa da banana com veneno está em torno de R$ 10 reais -, e ainda introduziu goiaba, limão, butiá e açaí de juçara na comercialização. Nessa conversa, feita no bananal agroflorestal da família, técnicos e agricultores estimaram em 18 meses o período mais difícil para quem quer fazer a transição.

A atuação das políticas públicas de apoio à produção agroecológica foi outro ponto analisado pelos agricultores. Para Rogério Neuwald, da Secretaria-Geral da Presidência da República, essa sistematização da caravana, envolvendo a apresentação de estudo e debates, pode servir de referência para aprimorar e construir políticas mais efetivas.

Participações, parcerias e apoio

A Caravana Agroecológica e Cultural Sul teve a participação do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa), Pastoral da Juventude Rural (PJR), Geard, Codeter/Ufrgs/Atip, SG/Paraná-Cnapo, Nida/RS, Conab, Secretaria da Agricultura de Mampituba, Cooperativa de Consumidores Ecotorres, Gaerd, Arede, HRS, Comafitt, Arpa Sul, Amadecom e de grupos dos núcleos da Rede Ecovida Vale do Rio Pardo , Missões, Planalto, Serra, Litoral Solidário, Sul Ecológico, Alto Uruguai, e Mauricio B. do Amaral.

A Ação Nascente Maquiné (Anama), Centro Ecológico e Centro de Tecnologias Alternativas Populares (Cetap) foram parceiros da iniciativa da ANA nessa etapa do projeto Promovendo a Agroecologia em Rede. O projeto tem o apoio da Fundação Banco do Brasil e BNDES. A próxima caravana será em Rondônia.


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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