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( 26/05/2015 ) Regularização de agroflorestas e supressão de glifosato para conservar a Mata Atlântica
 


Foto: Saf da família Fernandes, por Cristiano Motter

A produção de alimentos junto com a vegetação original, característica dos Sistemas Agroflorestais (Safs), pode salvar os 8,5% que restam da Mata Atlântica. Na opinião do biólogo Sidilon Mendes, do Centro Ecológico, a Autorização de Manejo Agroflorestal junto ao Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (Defap) também pode contribuir. É a floresta com agricultura, tem que fazer um certo raleio pra poder interagir. Tem mais agricultores interessados e os próprios agrofloresteiros estão interessados em expandir, afirma Mendes.

Até dezembro de 2014, os Safs de 21 agricultores do Litoral Norte do Rio Grande do Sul haviam sido regularizados, entre estes, o deTobias Fernandes, em Três Cachoeiras. Para o agricultor, a regularização deu mais autonomia para trabalhar. Posso selecionar as árvores que quero deixar, sem precisar ir no Ibama sempre. De acordo com o que vejo, posso podar, plantar, tudo que faz parte do manejo de uma agrofloresta.

Enquanto tiver Roundup as agroflorestas não crescem

Agrofloresteiro há mais de 20 anos, Fernandes acha que as regularizações podem ajudar, mas, para ele, a maioria dos bananicultores que trabalham no sistema convencional (com agrotóxicos) está interessada em produzir rápido e sem muito trabalho. Enquanto tiver Roundup (glifosato), os bananais (monoculturas) vão continuar crescendo. Aqui o pessoal usa até no cemitério, nas estradas, nos campinhos. Nas estradas para dentro dos bananais não tem mato, só barro puro. Isso não é controlado pelos órgãos públicos, vem até contrabandeado. Enquanto tiver Roundup as agroflorestas não crescem.

Agência Internacional classifica glifosato como carcinogênico

Em março de 2015, a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC, pela sigla em inglês), órgão especializado em câncer da Organização Mundial de Saúde (OMS), avaliou a carcinogenicidade de cinco pesticidas organofosoforados. Os resultatos classificaram o herbicida glifosato como provavelmente carcinogênico para humanos , junto com os inseticidas malation, diazinon, clorpirifós e paration.

Para o herbicida glifosato, houve evidência de carcinogenicidade em humanos para Linfoma Não- Hodgkin*. A evidência em humanos partiu de estudos publicados desde 2001, sobre pessoas expostas, na maior parte na agricultura, nos Estados Unidos, Canadá e Suécia. Além disso, há evidência convincente que o glifosato pode causar câncer em animais de laboratório. Na base de tumores em camundongos, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) originalmente classificou o glifosato como possivelmente carcinogênico para humanos em 1985. Depois de uma reavaliação do estudo em ratos, a EPA mudou a classificação para não carcinogenicidade em humanos em 1991.

*A página do Instituto Nacional do Câncer (Inca) informa que, no Brasil, os casos de Linfoma Não - Hodgkin praticamente duplicaram nos últimos 25 anos.


Cartilha busca esclarecer agricultores sobre Safs
A Cartilha Sistemas Agroflorestais - produção de alimentos em harmonia com a natureza> esclarece dúvidas comuns aos agricultores sobre a implantação de Sistemas Agroflorestais (Safs) nas propriedades.


   
 

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