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( 21/01/2015 ) Comunidade Europeia altera política para transgênicos
 


Convidado a escrever para o boletim conjuntural da Emater/RS, o agrônomo Leonardo Melgarejo compartilhou com alguns grupos, entre estes o da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) as informações abaixo:

Por 480 votos a favor, 159 contra e 58 abstenções a União Europeia (EU) alterou sua política para os produtos transgênicos. Agora cada país decide se o plantio será ou não permitido em seu território, estabelecendo critério de flexibilidade que pode vir a ser estendido a outras políticas da EU, conforme esta notícia do Parlamento Europeu.

No caso dos transgênicos, fortes resistências na França, Alemanha, Noruega, Áustria, Hungria e Noruega se confrontam com posições favoráveis de Portugal, Espanha e Inglaterra e envolvem preocupações ambientais além de dúvidas quanto à suficiência dos estudos disponíveis, assegurando inocuidade ao consumo.

Na nova legislação as proibições podem se dar por aspectos socioambientais, relacionados aos preços da sementes e impraticabilidade de assegurar direitos de agricultores que não desejem ter suas lavouras contaminadas, em vistas da inviabilidade das medidas de coexistência até aqui preconizadas ou por preocupações com a saúde, expressas por consumidores.

Além disso, as lavouras orgânicas e convencionais não deverão ser contaminadas, e esta eventual contaminação não poderá ocorrer de forma transfronteiriça, alcançando países que não aprovem o plantio. Percebe-se, considerando lavouras de polinização aberta - dependentes do fluxo de pólen pelo vento e por insetos -, como o milho, que as dificuldades de controle da contaminação são muito relevantes, sendo este um dos motivos para decisão coletiva, que até semana passada envolvia toda UE.

É possivel supor que com o tempo esta decisão levará o “fato consumado” da expansão dos cultivos transgênicos a todos os países da União Européia, enfraquecendo os laços de solidariedade entre os países membros, com benefícios evidentes para os interesses de empresas como Monsanto, Syngenta e Bayer, entre outras.

Atualmente o milho MON810, da Monsanto, é a única espécie transgênica cultivada na União Europeia. No Brasil já são registrados casos de insetos resistentes à proteína inseticida presente nesta variedade. No Canadá foi identificada a presença daquela proteína no sangue de bebês em amamentação e gestação, conforme o editorial deste boletim de 2011 da ASPTA. Não existem estudos de longo prazo, ou com animais em gestação comprovando a inocuidade daquela proteína, para a saúde humana e animal.


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