Notícias
 
( 25/06/2013 ) Feira da Biodiversidade destaca importância das sementes tradicionais
 


Para ver mais fotos

As sementes crioulas domesticadas ao longo milhares de anos, em um trabalho coletivo da humanidade, foram o tema da 11ª Feira da Biodiversidade e 4ª Feira da Economia Solidária realizadas no Salão Paroquial de Três Cachoeiras, Litoral Norte do RS na terça-feira, 25 de junho.

"Semente é de onde vem a planta, o trigo, o milho, o feijão. Crioulo significa que foi adequada às condições de lugar de solo, clima, de um determinado lugar. A capacidade de adaptação confere maior resistência à planta, que consegue produzir bem sem fungicidas, adubos químicos e agrotóxicos", explicou o assessor em Agroecologia Cesar Volpato. Devido a essas características, a semente crioula é, para Volpato, a que mais combina com agricultura ecológica.

Representando essa conexão, 15 bancas de grupos, associações, famílias e de uma escola dos municípios de Três Forquilhas, Torres, Três Cachoeiras, Maquiné , Morrinhos do Sul e Ipê expuseram aproximadamente 200 variedades de alimentos da biodiversidade.

A estimativa é de Amilton Munari, da Associação Içara, de Maquiné. Somente em grãos a banca do agricultor tinha mais de 35 variedades: arroz de índio, feijão mexicano, girassol, amendoim de soca e rasteiro, ervilha , ervilha uruguaia, arroz cateto de sequeiro, adubações como ervilhaca e aveia. Tomate phisalys, porongos, amoras, várias mudas de cana. e de batatas, milhos tupis e catetos também faziam parte da biodiversa exposição de Munari.

Mais adiante, a banca de Vilmar Menegat, mostrava um pouco das 70 variedades preservadas em uma comunidade chamada Vila Segredo, em Ipê, na Serra Gaúcha. "Sempre tivemos a preocupação de ter as sementes para não precisar comprar. Como participo de outros eventos, sempre se faz uma troca". Conforme Menegat, ter suas próprias sementes é uma segurança para o agricultor e os consumidores aceitam muito bem as variedades crioulas. "Minha maior garantia quando me perguntam se é orgânico é que tenho minha própria semente". Menegat afirmou que as sementes que estão no mercado, além de cada vez mais caras, exigem adubos e produtos que colocam mais um custo em cima.

Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do RS, Ivar Pavan, este tipo de custo de produção, entre outros de diversos setores da agricultura familiar, estão inviabilizando economicamente muitos agricultores do Estado. Assim, um dos eixos da pasta é estimular a transição para um modelo que preserve a água, o solo e gere saúde para o agricultor. Sobre a feira, o secretário destacou que é uma das boas referências para o RS e que tende a se expandir em outras regiões.

Oficinas na parte da tarde

Entre as oficinas de Biodiversidade e sementes crioulas, Produção de sementes de hortaliças orgânicas e Culinária com frutas nativas, esta, realizada na Casa do Movimento de Mulheres Camponesas Região Litorânea (MMC), foi a mais disputada, com 23 inscritos. "É a primeira vez que vejo bolo de Guabiroba, cajuzinho e croquete de pinhão. Estou surpresa de ver tudo que a gente pode fazer", disse a professora Azária Abatti, de Araranguá/SC.

Almoço e café da biodiversidade

Os eventos tiveram ainda um café da biodiversidade na parte da manhã e almoço ecológico preparado por Zelma Strege Evaldt e Marlene Apolinário.

Organização, apoio e recursos
A 11ª Feira da Biodiversidade e 4ª Feira da Economia Solidária foram organizadas pelo Centro Ecológico e MMC com apoio da Cooperativa dos Produtores Ecologistas do Litoral Norte do RS e Sul de SC (Econativa) e recursos de Inter - American Foundation (IAF), Framtidsjorden e Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo/ Governo do Estado do RS.


   
 

Cursos

19/9
22 anos do Conselho das Associações Ecologistas de Ipê e 10 anos da Econativa Serra


 

Ipê-Serra - Rua Luiz Augusto Branco, 725 - Bairro Cruzeiro / Cep: 95.240-000 / Ipê - RS / Fone: 0xx (54) 3233.16.38 / E-mail: serra@centroecologico.org.br
Litoral Norte - Rua Padre Jorge, 51 / Cep: 95.568-000 / Dom Pedro de Alcântara-RS / Fone/fax: 0xx (51) 3664.02.20 /E-mail:litoral@centroecologico.org.br