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( 17/05/2006 ) Seminário regional aborda usos e preservação da biodiversidade da Floresta Atlântica
 


Houve um tempo em que a Floresta Atlântica cobria 15% do território nacional, se estendendo desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Após sucessivos ciclos de destruição, hoje a o que resta de um dos ecossistemas mais importantes do mundo, corresponde a 5% da área original. A devastação da Mata Atlântica acompanha a tendência mundial de destruição: metade das florestas do mundo já foram desmatadas, mesmo assim, 160.000 km2 – duas vezes o estado de Santa Catarina - são destruídos a cada ano.

Apesar disso, o bioma Mata Atlântica continua sendo a casa de cerca de 20.000 espécies vegetais, sendo 8.000 endêmicas e mais de 1.600 espécies de vertebrados. A conservação de recursos hídricos é outra função vital deste bioma: algumas das bacias hidrográficas que abastecem cerca de 70% da população brasileira dependem da sua conservação.

Mas como conciliar a necessidade urgente de recuperar e preservar com a necessidade de viabilizar economicamente as famílias que também fazem parte deste ambiente? A preocupação com a preservação passa obrigatoriamente pela utilização e cultivo dos recursos vegetais que o próprio bioma oferece, ao invés de devastar para produzir apenas espécies exóticas.

Sob este foco o MMC - Movimento de Mulheres Camponesas Região Litorânea o Centro Ecológico organizaram o Seminário Regional Nosso Papel na Preservação da Mata Atlântica, em Morro Azul, Três Cachoeiras, RS, no dia 16 de maio de 2006. Mais de 140 pessoas, entre estudantes, agricultores, agricultoras e técnicos dos municípios de Osório, Arroio do Sal, Três Forquilhas, Três Cachoeiras, Dom Pedro de Alcântara, Morrinhos do Sul, Mampituba e Torres – todos no litoral norte do RS - assistiram à palestra do biólogo, Mestre em Botânica e doutorando em fitotecnia, Valdely Ferreira Kinupp, da Faculdade de Agronomia da UFRGS, sobre o uso econômico das plantas da Mata Atlântica.
Em sua palestra a Importância da Mata Atlântica, o biólogo apresentou pelo menos duas dezenas de plantas nativas comestíveis, medicinais e utilizáveis para artesanato, dentre estas, o Cereus hildmaniannus, um cactus encontrado no Parque da Guarita, em Torres, que em Porto Alegre é comercializado na Feira Ecológica da Coolmeia para fazer um suco com diversas propriedades nutracêuticas. Outra das espécies apresentadas ao público foi o Typha dominguensis, cujo rizoma pode ser refogado, e é tão gostoso quanto palmito. O pólen desta planta – que não é tóxico como outros polens - tem alto teor de proteínas, lipídios, açúcares e vitamina C estável. Sobre a dieta que a grande maioria das pessoas adota na atualidade, o biólogo considera que além do imperialismo cultural, sofremos com o imperialismo gastronômico alimentar. Os alimentos que consumimos, mesmo a banana, em sua maioria são espécies exóticas, isto é, não são da nossa biodiversidade, vieram de outros continentes, outras culturas.

Dando continuidade aos trabalhos, foram apresentados os objetivos e resultados de projetos já implementados e outros em fase de consolidação, financiados pelo KFW - Kreditanstalt für Wiederaufbau; PDA (Subprograma Projetos Demonstrativos Categoria A ) e Ministério do Meio Ambiente.

O engenheiro agrônomo André Gonçalves, da equipe técnica do Centro Ecológico, ONG responsável pela implementação do projeto Consolidação e Ampliação dos Sistemas Agroflorestais na Região de Torres, apresentou dados sobre a rentabilidade e a biodiversidade encontrada nos bananais ecológicos em sistemas agroflorestais, em comparação aos convencionais (que precisam de adubos químicos e agrotóxicos para produzir). No bananal dos agricultores ecologistas Mauri e Regina Fernandes, por exemplo, são encontradas 42 espécies de árvores, algumas até ameaçadas de extinção.

Jurema Justo Mengue, da coordenação regional do MMC – Movimento de Mulheres Camponesas – apresentou os resultados do projeto de recuperação da Mata ciliar, com espécies de interesse Medicinal. Implementado entre 2001 e 2002, este projeto reflorestou 10 áreas à beira de rios, córregos e sangas, em seis municípios do litoral norte. Em sua fase de consolidação, que começou em 2005, este projeto propõe o plantio e preservação de 12 novas áreas em nossa região.

A Anama – Ação Nascente Maquine, forneceu informações sobre o projeto Desenvolvimento Ecoturístico de Maquine, que tem o objetivo de conservar e promover a melhoria das condições de vida, especialmente para os agricultores daquele município.


   
 

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