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( 27/06/2012 ) Alimentos que custam conhecimento na Feira Ecológica Lagoa do Violão
 




Alimentos da biodiversidade caem bem nas ecobags do consumidor mais informado

Eles não estão no supermercado.E quando estão, quase sempre são caros. É para Feira Ecológica Lagoa do Violão, que desde 2003 é realizada num dos cartões postais de Torres, no Litoral Norte do RS, que cinco famílias agricultoras levam produtos da sociobiodiversidade local para vender.

Junto com alimentos orgânicos certificados mais conhecidos, como alface, beterraba, cenoura, mel e banana, os consumidores encontram folhas de taioba, physallis, tubérculos e variedades crioulas de milho, abóbora e feijão.

Compra quem tem conhecimento
Na banca onde trabalha com o pai a estudante e agricultora Andreza Cardoso, observa o comportamento do consumidor: “Os clientes que compram produtos da biodiversidade são os que têm conhecimento”.

A professora Carla Zanella não conhece yacon, mas pergunta para o feirante Tobias Fernandes como se faz, e compra o tubérculo. “Sou curiosa. Só não como inhame porque comi muito quando era criança, mas sempre levo coisas diferentes. E sem agrotóxicos. Tem gente que diz, ah, mas não é bonito! E daí que não é bonito? Não tem agrotóxico e tem beneficio pra gente mesmo e para o meio ambiente”.

Assim como a amiga e colega de feira Andreza, o agricultor Elias Strege Evaldt percebe que os clientes que têm mais informação são os que levam para casa produtos diferentes.

Novos consumidores para o açaí
O açaí da palmeira juçara é um caso a parte. Queridinho dos surfistas e lutadores de jiu-jitsu - que vão à feira para comprar só este produto, o açaí da Mata Atlântica vem ganhando novos perfis de consumidores. “São pessoas que experimentaram nos quiosques da praia e ficam sabendo que aqui tem”, diz Elias. Na safra passada ele processou duas toneladas de polpa com frutos colhidos na propriedade da família, em Morrinhos do Sul, a menos de 30 quilômetros de Torres. Através de uma cooperativa de produtores ecologistas, a família de Elias vende açaí de juçara para a alimentação escolar de municípios vizinhos. Outros pontos de venda estão nas cooperativas de consumidores de Três Cachoeiras e Torres, e numa das feiras ecológicas de Porto Alegre.

Agricultores não acreditavam
Os produtos da sociobiodiversidade entraram na história da família de Elias em 1997, junto com o trabalho de ecologização da propriedade, que antes se dedicava mais ao cultivo da banana.

Hoje os Strege Evaldt recebem técnicos, cientistas e agricultores do mundo inteiro, que vão conhecer a agrofloresta, o quintal, as hortas de uma família que vive de tudo que planta. “A gente plantava mais pra ser diferente, ter a diversidade. Pensando comercialmente não acreditava muito não. Hoje aumenta um pouco a renda,” avalia o agricultor.

Por que conservar a biodiversidade
“Vários benefícios diretos e indiretos derivam da conservação da biodiversidade”, afirma o doutor em Recursos Naturais André Gonçalves, da equipe do CentroEcológico. De acordo com o agrônomo, dentro dos sistemas agrícolas, a agrobiodiversidade está relacionada à diversidade genética das culturas e à resistência a insetos, doenças, saúde do solo e polinização, fundamentais para a segurança alimentar. Gonçalves destaca a crescente importância de uma agricultura mais amiga do meio ambiente, especialmente dos sistemas agroflorestais, no sequestro de carbono:”a absorção de carbono por práticas agrícolas que incorporem o componente arbóreo, é relevante em um cenário para restringir o aquecimento global. “

Os agricultores da Feira Ecológica Lagoa do Violão são assessorados pelo Centro Ecológico. A ONG está implementado o projeto Ampliação e Consolidação dos Sistemas Agroflorestais na Serra e no Litoral Norte do Rio Grande do Sul com o apoio do Fundo Nacional para Conservação da Biodiversidade (Funbio).


   
 

Cursos

12/11
Extrativismo e Sistemas Agroflorestais - aspectos legais
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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