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( 07/06/2012 ) Feiras e seminário promovem encontro da Agroecologia com Educação no Litoral Norte/RS
 




Dois mundos nem tão diferentes, mas que há tempos andavam separados, se encontraram nos dias 5 e 6 de junho em Três Cachoeiras, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

Na Praça Central, a 10ª Feira da Biodiversidade e 3ª Feira da Economia Solidária mostraram o que 18 famílias, cooperativas, grupos e associações do Litoral Norte vêm fazendo para se viabilizar economicamente e ao mesmo tempo gerar benefícios sociambientais.

No auditório da prefeitura, no dia 5, mais de 300 pessoas participaram do 4º Seminário Regional de Educação Ambiental Era do Consumo Tempo de Educar, organizado pela Teia de Educação Ambiental Mata Atlântica. No dia 6, foram realizadas mesas temáticas na própria feira e duas palestras relacionadas à agricultura ecológica, preservação da biodiversidade no auditório.

"Achei que foi um casamento perfeito", disse Aurinete Santos de Oliveira, da Fundação Cepema, do Ceará, sobre a realização do Seminário de Educação Ambiental na mesma data das feiras.

O diretor do departamento municipal de Meio Ambiente, Sidilon Mendes, pensa que a Feira da Biodiversidade reflete o que os professores integrantes da Teia trabalham na sala de aula. "O alimento, a agrofloresta, tudo isto está dentro da Feira da Biodiversidade, onde se pode conhecer a relação do produtor com o meio ambiente, quem é este produtor, como ele plantou aquela moranga".

Na visão da educadora ambiental do Centro Ecológico, Stela Motter, Educação Ambiental e Agricultura Ecológica têm muitos pontos em comum e a realização da feira junto com o seminário foi um jeito de qualificar ainda mais a presença dos professores.


Seminário: palestrantes propuseram desconstrução de conceitos e chavões
No seminário, autoridades do Estado, das cidades de Arroio do Sal, Mampituba, Morrinhos do Sul, Três Cachoeiras, representantes de entidades de Canela, Montenegro,Região Metropolitana de Porto Alegre, Passo Fundo, Uruguai, Argentina e professoras de toda região assistiram a duas palestras em que o tom predominante foi a necessidade de desconstruir conceitos, ver, pensar e compreender o mundo sob uma perspectiva analítica.

Para a palestrante da manhã, a especialista em Ciências da Terra Sheila Ceccon, do Instituto Paulo Freire, de São Paulo, ideias como " a Terra é nossa casa" e "cada um deve fazer sua parte" fazem o ser humano perder a noção de que é Terra e não contribuem para o processo de mudança através da Educação.

"Essa água, 70% do nosso corpo, é a mesma que corre nos rios. Não vivemos na Terra. Somos Terra. A gente precisa desconstruir algumas ideias. Parece que eu, fazendo a minha parte, está tudo bem. E qual a minha parte de água? De solo? Não existe a minha parte e sim a nossa parte. Precisamos desligar o piloto automático e parar de reproduzir chavões".

De tarde, o agrônomo e mestre em Sociologia Rural Alberto Bracagioli da Emater, falou sobre como o colonialismo se mantém na estrutura da sociedade e de que forma os conceitos gerados neste tipo de estrutura fomentam uma relação predatória com o meio ambiente e de desumanizacao das pessoas. Na opinião de Bracacgioli, as trilhas para solucionar os dilemas ambientais atuais passam pela descolonialização, viver bem com menos, e saber conviver com tudo que nos rodeia. Ele propôs que ao desenvolver trabalhos em sala de aula, as professoras sempre considerem esse controle econômico, de raça e de subjetividade reproduzido sem pensar em nossas relações diárias.

Grupo Pereyra, Rede Amigos da Terra do Uruguai e Cetap apresentaram experiências
Depois de uma apresentação musical da dupla Joana e Ingrid, do Instituto de Educação Angelina Maggi, de Três Cachoeiras, entidades que fazem parte da Rede Terra do Futuro (Framtidsjorden, da Suécia), e que na América Latina estão envolvidas na campanha pelo Consumo Responsável, apresentaram suas experiências: Centro de Tecnologias Alternativas Populares ( Cetap), de Passo Fundo; Fundação Grupo Pereyra, da Argentina e Rede Amigs da Terra do Uruguai.

Troca de experiências, cultura e sementes na feira

"Eu tinha cará-aéreo em casa e não sabia como usar, aprendi aqui na feira, no ano passado", contou a agricultora Marli Evaldt, do Grupo de Produtores Ecologistas do Paraíso (Gpep). Elisabete Silveira, do mesmo grupo, traz e leva sementes, da feira. Em casa está usando araruta que conseguiu na última edição do evento.

Essa troca é importante - segundo Claudete Bonath e Gustavo Grando - alunos pesquisadores da pós-graduação em Agroecologia da Universidade Monã, de Canela - para não perder a genética, a cultura, não estar na mão das sementes híbridas. "É a autonomia do agricultor, a segurança alimentar e com baixo custo, porque porque as variedades crioulas são mais resistentes a doenças", garantiu Grando.

Para o presidente da Emater/RS, Lino De David, esse tipo de evento mostra que a sociedade pode produzir alimento saudável do ponto de vista da saúde e do meio ambiente. "Esse é o símbolo disso aqui. A gente está estimulando e propiciando que outras experiéncias deste tipo se desenvolvam e tomem uma dimensão maior.

Palestrante fala sobre consumo responsável na Feira da Biodiversidade
Neste vídeo, Sheila Ceccon, palestrante no seminário de Educação Ambiental, fala sobre a coerência entre o consumo de alimentos ecológicos e da economia solidária e a educação para uma cidadania planetária.

A 10ª Feira da Biodiversidade e 3ª Feira da Economia Solidária foram promovidas por: Centro Ecológico, Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento de Mulheres Trabalhadoras Urbanas (MMTU) e Prefeitura Municipal de Três Cachoeiras. Apoio: Prefeitura Municipal de Morrinhos do Sul, Cooperativa Regional de Produtores Ecologistas ( Econativa), Organização Intereclesiástica para a Cooperação ao Desenvolvimento (ICCO) da Holanda, Rede Terra do Futuro da Suécia, Emater /RS, Instituto Rio-grandense do Arroz ( Irga), Corsan.


   
 

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