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( 10/04/2012 ) Pérola da Terra representa nova fase para uma das primeiras agroindústrias ecológicas do RS
 



Na vinicultura convencional, pérola-da -terra representa prejuízo. Na história de uma das primeiras agroindústrias ecológicas da Serra Gaúcha, Pérola da Terra representa uma nova fase na história da empresa.

"A pérola-da-terra é uma praga que ataca as raízes das videiras. Mas na agricultura ecológica, a pérola - da - terra e a videira convivem muito bem. A doença não faz mal para o parreiral", explica a gerente administrativa, Jocelei Pontel Forlin. O marido e diretor comercial Volmir Forlin, recorda que quando outros produtores ficavam sabendo que escolheram esse nome para a empresa, no final de 2010, diziam que eles estavam loucos.

Tivesse o argumento da loucura intimidado o casal Forlin 23 anos atrás, hoje não existiria a linha de sucos, néctares, molhos e doces ecológicos produzidos na Linha Guerra, 3º distrito de Antonio Prado.

Um passado, muitas histórias

Naquele tempo, em que junto com outros agricultores fundaram a Cooperativa Aecia de Agricultores Ecologistas, Joce e Volmir também foram chamados de loucos, por não usar veneno e ainda tentar estruturar uma agroindústria. "Industrialização era só para o grandes. Os equipamentos eram só pra grandes. Essa foi uma dificuldade que a gente encontrou nos primeiros quatro ou cinco anos, até desenvolver equipamentos para o nosso tamanho", diz Volmir, responsável pela adequação dos equipamentos ao tamanho da planta construída em 1994.

A infraestrutura de acordo com as exigências dos órgãos de fiscalização viabilizou a legalização e a entrada no mercado. A agroindústria já não era mais em um canto da casa, onde Volmir, Joce e o pai Tranquilo Pontel, faziam suco de uva, molho de tomate, conservas de cebola, pimentão, milho. Deste início, Joce comenta como ficou radiante com a venda de 1.700 garrafinhas de meio litro de suco de uva, para a Coolmeia (Cooperativa Coolmeia, em Porto Alegre): "Fizemos um empréstimo à Coolmeia pra comprar vidro usado, encher e pagar com suco. A comercialização foi difícil, ninguém tinha telefone. Pra contatar os agricultores tinha que ir de casa em casa".

Com o crescimento da Aecia, a agroindústria começou a vender para São Paulo, em 1996, e a partir daí para outros estados. A gerente acha graça quando lembra que suco de uva ia para São Paulo em caixas de tomate: "Perguntavam: o que é isso? Tem que ser caixa de papelão! A gente foi aprendendo. Tínhamos vontade e aprendíamos, fomos jogando bastante força, coragem, vontade".

Hoje a Pérola da Terra processa 50 mil litros de suco de uva por ano, sem contar os de amora, framboesa, pêssego e maracujá. No total de um ano, a produção ultrapassa 150 mil unidades, de 500, 300 e mil mililitros. A matéria-prima é comprada de oito famílias agricultoras ecologistas, além da produção própria. Quatro pessoas da família trabalham na empresa, que tem dois funcionários fixos. Entre fevereiro e março - na época da safra da uva - havia entre dez e 12 safristas. "O suco de uva sempre foi nosso carro-chefe", diz Joce.

Transição para um empreendimento individual

Em função do cargo de vice-prefeito que Volmir ocupa em Antonio Prado, em novembro de 2010 a agroindústria precisou deixar de ser uma das quatro unidades produtivas da Aecia para ser um empreendimento individual. Controle, manual de boas práticas, procedimentos operacionais padrão (pops), a agroindústria já tinha. "Aproveitamos para criar um nome bonito, buscar uma identidade e trocar o CNPJ", diz Joce.

Mesmo assim tiveram que providenciar novos registros junto aos órgãos responsáveis. Até que, em janeiro de 2011, o estabelecimento foi liberado. Faltavam ainda os registros dos produtos, obtidos em agosto e novembro de 2011, sendo que uma parte ainda não está registrada. Os rótulos e sistema de nota eletrônica permitiram a estreia da Pérola da Terra no mercado em dezembro de 2011.

Para emplacar a marca no mercado, a Pérola da Terra conta com um vendedor em São Paulo e a representação comercial da irmã de Volmir. A identidade visual ficou por conta do escritório de design bioDiversa ecoComunicação & Imagem , que desenvolveu logotipo,rótulos e todo material de divulgação.

Em São Paulo, Micael Moraes já vende para lojas de produtos naturais e na feira da Associação de Agricultura Orgânica. Hotéis e restaurantes são contatados, mas, segundo Moraes, não está fácil por enquanto. Na análise de Volmir, o mercado está sendo abocanhado pelas pessoas cada vez mais especializadas, sem espaço para o pequeno agricultor. "Na Aecia éramos os primeiros. Hoje a Pérola precisa competir mais, porque é mais um produto orgânico".

Parceria com o Centro Ecológico

Assim como o nome Pérola da Terra assusta alguns, mas incentiva o empreendimento dos Forlin, a competição no mercado é enfrentada com uma atitude que, sob a perspectiva convencional, seria um gasto extra em um momento de transição. A empresa destinará um percentural das vendas para compor um fundo a ser investido pelo Centro Ecológico no desenvolvimento de atividades que fortaleçam especialmente mulheres e jovens da área rural. "A empresa está fazendo uma parceria muito importante com o Centro, numa homenagem à parceria que já tem 23 anos. Esta cooperação certamente renderá mais frutos", afirma a agrônoma Maria José Guazzelli, fundadora da ONG de assessoria técnica.

A responsável técnica pela Pérola da Terra, Ana Luiza Meirelles, acredita também que novos agricultores, agricultoras e grupos poderão ser formados a partir deste percentual, valorizando a parceria e a amizade de mais de duas décadas.


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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