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( 15/02/2012 ) Cooperativismo amplia mercado para a produção ecológica da Serra Gaúcha
 



Um empreendimento que une os princípios do cooperativismo com a agricultura sustentável respondeu pela comercialização, em 2011, de 70 mil quilos de alimentos ecológicos produzidos por 45 famílias da Serra do Rio Grande do Sul. É a filial da Cooperativa Regional de Produtores Ecologistas do Litoral Norte do RS e Sul de Santa Catarina (Econativa), que desde 2008 opera em Ipê e hoje tem entre seus maiores clientes o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a alimentação escolar e uma rede de supermercados da Capital gaúcha.

"Somente para o PAA foram 30 toneladas", informa o coordenador da filial, Volmir Campagnollo. Os produtos adquiridos por este programa do governo federal foram destinados a instituições beneficentes do município de Bento Gonçalves.

Sobre a alimentação escolar, Volmir tem um levantamento feito em julho de 2011, mostrando que 31 mil estudantes de cerca de 150 escolas da rede pública estadual e municipal de 11 municípios serranos tiveram acesso a frutas, hortaliças, sucos, molho de tomate e doces ecológicos. Por meio da matriz em Três Cachoeiras, os produtos ecológicos da Serra chegaram também a estudantes de seis municípios do Litoral Norte do RS.

Para a rede de supermercados, partem semanalmente entre 2 mil e 2 mil e 500 quilos de cebola, batata, tomate, repolho, embalados e com selo de certificação da Rede Ecovida de Agroecologia.

Vendas partilhadas e renda garantida
Volmir recebe os pedidos e organiza as vendas, comprando o mesmo item de diversos associados. "Eu poderia conseguir tudo de um só agricultor, mas comprei de cinco, e cinco ficaram felizes", avalia ao fechar, por telefone, a compra dos quilos de pimentão que faltavam para completar um pedido.

Para o agricultor Odimar Marcon, da comunidade de Vila Segredo, em Ipê,a cooperativa permite que mais gente trabalhe para oferecer mais produtos:"Dá mais certo para outras pessoas trabalharem também, para o produtor investir mais. A venda tá boa, o problema é que ainda falta produto". Como Odimar é quem leva, de caminhão, os produtos dos associados até a central do supermercado, calcula que mais mercadoria reduziria o valor do frete. Da sua propriedade, onde trabalham a irmã, a esposa, pai, mãe e um funcionário, são vendidos semanalmente 400 quilos de alimentos. Ele também recolhe a produção de um vizinho. Os outros sócios levam os produtos até a Econativa.

Outra associada que há três anos vende para a cooperativa é Sandra Campagnollo Parizotto, da localidade de Vila São Paulo, em Ipê. Ela lembra que no início as vendas eram modestas: "Era pouca coisa, não porque não tivesse mercado, mas porque a gente não estava preparado". A família vendia para a Feira Ecológica Tristeza, em Porto Alegre, onde, segunda Sandra, o preço é um pouco melhor, mas não existe certeza se vai vender: "Na feira pode ter sobra.Para a cooperativa o preço é um pouco inferior, mas não tem sobra", compara ela, já contando com o aumento da demanda no início de março: "Tem semana que vai toda a produção e com isso aumenta bastante a renda da família". Com maior demanda, a família Parizotto investe mais na produção orgânica: "Toda semana estamos fazendo mais canteiros, plantando mudas de hortaliças em quantidade e variedade diversas. Sabemos que temos manter esses mercados com nossa produção para que a cooperativa cresça e com isso todos nós associados vamos bem".

Lugar de orgânico é na escola

A Escola Estadual Frei Casimiro Zafonato, de Ipê, já tentava melhorar a merenda servida aos 470 alunos antes de março de 2010, quando começou a comprar legumes, molhos, hortaliças, frutas, doces e sucos ecológicos para se ajustar à Lei 11.947/2009, conhecida como a lei dos 30% da alimentaçoa escolar.

Segundo a diretora Marlene Marisa Baldo Toresan, com os alimentos ecológicos foi possível para as merendeiras qualificarem ainda mais as refeições:"Quando a gente comprava do mercado não comprava muito legume, até por saber que tem veneno, agora compramos mais e os alunos gostam muito, mesmo os que antes tinham resistência ao refeitório. E é comida de panela: arroz, feijão, massa, risoto, com três tipos de saladas e sucos orgânicos", conta a professora.

A aluna Gislaine Ziliotto, resume a merenda servida na escola: " Aqui o negócio é caprichado". Apesar de gostar de tudo um pouco, a aluna que acaba de ingressar na 3ª série, do Ensino Médio tem maior apreço por um alimento que viaja da matriz para a filial: a banana. "Comia uma e levava outra para comer depois".


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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