Notícias
 
( 30/01/2012 ) Agricultores ecologistas são também sequestradores de carbono
 




Até pouco tempo, agricultor era quem produzia alimentos. Nos últimos dez anos os agricultores ecologistas assumiram um novo papel: o de sequestradores de carbono.

¨Ao lado de outros benefícios ambientais, a capacidade da agricultura orgânica de reter carbono no solo e nos Sistemas Agroflorestais (Safs) ganhou mais importância com as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global¨, explica o agrônomo e Ph.D em Recursos Naturais André Gonçalves.

De acordo com André, cada agrofloresta tem a função de um ar refrigerado, mas os efeitos na atmosfera global só seriam percebidos se este tipo de produção fosse praticado em escala, replicando bem-sucedidas experiências de famílias de outras regiões do Brasil e do mundo, que conciliam preservação ambiental com resiliência econômica.

No Litoral Norte do Rio Grande do Sul, no limite meridional da Mata Atlântica, cerca de 300 famílias já produzem ou estão em processo de transição para o cultivo da banana em Safs. ¨Todos estão deixando árvores no bananal¨, garante o técnico agrícola Cristiano Motter.

Com 20 anos na Agricultura Ecológica, a família Fernandes maneja o que pode se considerar um Saf avançado em 1,5 hectare da propriedade na comunidade da Raposa, em Três Cachoeiras. Além da banana - mais ou menos 150 quilos por semana – a agrofloresta produz abacate, laranja, lima e bergamota. E serve de casa para sabiás, saracuras, beija-flores, aracuãs, tucanos, corruíras, trinca-ferros, ouriços, gambás, cobras e lagartos.

Em 2006, com 14 anos, cada hectare deste Saf havia sequestrado cerca de 21 toneladas de CO2. Em breve a família terá os resultados atualizados a partir de um levantamento realizado no ano passado por técnicos e estagiários do Centro Ecológico.

A agrofloresta onde Adroaldo Jorge Cardoso produz em média 500 quilos de banana por semana fica na comunidade de santo Anjo da Guarda, Três Cachoeiras e também terá novos resultados em breve.

O agricultor acompanhou a pesquisa a campo em 2011. Até 2006, com 11 anos de implantação, o sistema tinha um estoque de cerca de 13 toneladas de carbono por hectare. Adroaldo diz que optou pela produção em agrofloresta para deixar de usar agrotóxicos." Faz 17 anos não quis mais botar veneno. Tava com problema de saúde - vômito, dor de cabeça - por isso abandonei" . Hoje comercializa para a merenda escolar e para uma rede de supermercados de Porto Alegre, com a certificação orgânica da Rede Ecovida de Agroecologia.

Consumidores ainda não reconhecem o benefício

A administradora Tatiana Kazmierczak, de Porto Alegre, e a professora Márcia Forgiarini, de Caxias do Sul, são clientes da banca de Tobias e Luzia Fernandes na Feira Ecológica Lagoa do Violão, em Torres.

As duas consumidoras sabem que a banana que compram na feira é cultivada de forma sustentável. Nenhuma sabia que era de um Saf ou que contribuía para mitigar um dos principais gases de efeito estufa.¨Não sei como é produzida, mas por ser ecológica acredito que seja de forma sustentável, sem pesticidas¨, diz Márcia. Depois que soube que a banana vinha de uma agrofloresta Tatiana disse que fazia ainda mais questão de comprar.

O professor de Biologia Benedito Ataguile avalia o Saf como um sistema que dá certo: ¨produz uma banana extremamente saborosa, muito diferente das convencionais e de fácil acesso a todas as camadas sociais¨.

A quantificação dos benefícios ambientais da produção ecológica é uma meta de dois projetos implementados pelo Centro Ecológico com recursos da Icco e Sociedade Sueca de Proteção da Natureza. na propriedade dos Fernandes e mais dez nos municípios de Dom Pedro de Alcântara, Morrinhos do Sul e Mampituba.


   
 

Cursos

12/11
Extrativismo e Sistemas Agroflorestais - aspectos legais
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

Ipê-Serra - Rua Luiz Augusto Branco, 725 - Bairro Cruzeiro / Cep: 95.240-000 / Ipê - RS / Fone: 0xx (54) 3233.16.38 / E-mail: serra@centroecologico.org.br
Litoral Norte - Rua Padre Jorge, 51 / Cep: 95.568-000 / Dom Pedro de Alcântara-RS / Fone/fax: 0xx (51) 3664.02.20 /E-mail:litoral@centroecologico.org.br