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( 24/10/2011 ) Festival encerra projeto Produção de açaí para geração de renda e preservação da Mata Atlântica
 




Dez anos atrás, só se conhecia o palmito de juçara, feito do caule de uma palmeira de extrema importância para a Mata Atlântica. No domingo, 23 de outubro, no Esporte Clube Vera Cruz da comunidade do Morro Azul em Três Cachoeiras, agricultores, consumidores e lideranças locais reuniram-se em um evento que tinha o fruto de juçara na tigela, no biscoito, no pão, no suco e até na tapioca.

Foi o Festival do Açaí de Juçara, pensado para marcar o encerramento de um projeto iniciado em 2009 e que permitiu dinamizar a cadeia produtiva de um produto saudável, sustentável e presente na alimentação de 4 mil estudantes da rede pública do Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

Depois da mística de abertura apresentada pelo Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), o agrônomo e Ph.D. em Recursos Naturais André Gonçalves fez uma palestra sobre as consequências que a agricultura, da forma como está organizada hoje, tem sobre o clima do planeta. "No Brasil a agricultura é uma das principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa: as queimadas geram gás carbônico, os fertilizantes geram óxido nitroso, a pecuária é responsável por 24% das emissões de metano, o transporte por longas distâncias para um produto chegar até o consumidor também é um agravante, sem falar nos agrotóxicos que comprometem o solo e as águas".

Para Gonçalves, a saída está nos Sistemas Agroflorestais (Safs) e nos circuitos curtos de produção e comercialização. "Apesar de pequeno em escala, este tipo de produção e consumo é muito simbólico, porque aponta uma solução para o impasse entre produção comercial e necessidade de preservação dos biomas originais do País, em sua maioria florestais". Nos Sistemas Agroflorestais da região, o agrônomo destacou a importância da produção e o consumo de açaí de juçara, pela relação de causa e efeito com a floresta.

Enquanto os adultos ouviam a palestra, as crianças colocaram em prática uma técnica criada pelo japonês Fukuoka, que consiste na elaboração de bombas de sementes. Envolvida em argila e terra, a semente tem um aporte de nutrientes para facilitar o brotamento. Em Torres e região, a ONG Onda Verde promove oficinas para estudantes. No Festival do Açaí foram feitas cerca de 40 bombas de semente de Euterpe edulis. Depois de aprender também a preservar as árvores e poupar água, a estudante Sonia Becker Pereira, da comunidade do Lajeadinho pretende replicar a técnica das bombas para colegas e amigas. "Posso ensinar outras pessoas agora".


No final da manhã, a agrônoma Ana Luiza Meirelles falou sobre a campanha Consumo Responsável, que desde setembro envolve 18 organizações que fazem parte da Rede Terra do Futuro da Suécia em 6 países da América Latina.

Almoço ecológico para 140 pessoas com direito à banda de música
De camisa azul celeste e calça azul marinho, os músicos da banda Carlos Gomes tocavam as notas que animavam o almoço ecológico no Salão Paroquial. Das 140 pessoas que almoçaram, algumas, como a dona de casa Solange dos Santos, não conheciam a batata-cará ou o inhame que estavam no cardápio junto com massa caseira, saladas, galinha caipira e carne de panela. "Nunca tinha ouvido falar em cará, agora vou fazer em casa", garantiu Solange, que já consome a polpa de açaí há pelo menos um ano.

Roda de conversa entre agricultores e consumidores
No início da tarde agricultores e consumidores convidados participaram de um debate conduzido pelo jornalista Gustavo Turck, consultor de comunicação da Rede Juçara.

Entre os participantes, o agricultor Jorge Evaldt Steffen, do grupo Rio Bonito, de Morrinhos do Sul, que há 30 anos plantou 400 mudas de juçara no meio do bananal. Ele começou a trabalhar com a polpa em 2005 e acha que a partir de agora a tendência é melhorar." Antes não tinha câmara fria. Na hora que enchia o freezer não tinha mais o que fazer com a semente".

Boa notícia para o coordenador da Cooperativa de Consumidores de Produtos Ecológicos de Torres (EcoTorres), Jose Alberto Johann. É na cooperativa e na Feira Ecológica Lagoa do Violão que os consumidores de Torres, na maioria surfistas e lutadores de Jiu-Jitsu, compram a polpa do Acaí da Mata Atlântica. Johann acha muito importante ter o açaí de juçara na EcoTorres. "O açaí é um símbolo da nossa agroecologia. Nós temos na nossa região a Mata Atlântica fragilizada. Sem o açaí não tem Mata Atlântica e sem Mata Atlântica não tem açaí e por isso o consumo é extremamente importante", avaliou o coordenador.

Teatros das escolas
A Escola Municipal Fernando Ferrari apresentou a peça Nina e os passarinhos. Nina é uma personagem bastante conhecida dos alunos das escolas da rede pública de Três Cachoeiras. Nessa história o pai de Nina adoece e sofre as conseqüências do desmatamento provocado por sua própria família para fazer roça. Os pássaros vão embora, chorando por não terem o que comer e onde morar, mas voltam depois que uma fada diz para Nina, em sonho, que eles devem recuperar a floresta.

Em Uma peça ecológica, os alunos da Escola Estadual Josefina Maggi Boff personificaram a seca, o calor, o ar e outros elementos da natureza que não podem ser vistos, mas sim percebidos diante da degradação ambiental provocada pela ação da humanidade.

Encerramento com música e dança

No final da tarde, Sandro da Gaita Ponto deu uma palhinha e alguns presentes não esperaram para dançar.

Participantes inscritos
Ação Nascente Maquiné (Anama), Associação dos Produtores Ecologistas de Morrinhos do Sul ( Apemsul), Associação Içara de Maquiné, Ecotorres, Grupo Rio Bonito, Grupo Ecológico Santo do Anjo da Guarda (Gesa), Grupo Paraíso e Onda Verde

Promoção, organização e apoios
O Festival do Açaí de Juçara foi promovido pelo Centro Ecológico, organizado pelo MMC Região Litorânea, Associação dos Colonos Ecologistas da Região de Torres (Acert) e Cooperativa dos Produtores Ecologistas do Litoral Norte do RS e Sul de SC (Econativa), com apoio da Prefeitura Municipal de Três Cachoeiras, Escola Josefina Maggi Boff, Paróquia São Luiz Gonzaga, Comunidade do Morro Azul e Esporte Clube Vera cruz.

O evento finalizou o projeto Produção de açaí para geração de renda e preservação da Mata Atlântica, implementado desde 2009 pelo Centro Ecológico. Este projeto foi um dos 22 contemplados da edição de 2008 de uma competição global chamada Development Marketplace co-patrocinada pelo Banco Mundial, Global Environment Facility (GEF), Corporação Financeira Internacional (IFC), Fundação Bill e Melinda Gates e a Agência de Cooperação Alemã GTZ.

Informativo disponível na seção Boletins
O informativo distribuído no festival conta um pouco da história da Mata Atlântica, da palmeira juçara e como este tipo de projeto pode contribuir para conservar os fragmentos da Floresta. Como fontes, o boletim usou as teses de mestrado e doutorado de Clarissa Hassdenteufel e Rodrigo Favreto.

Atualizada em 31/10/2011:assista ao vídeo Produtores do RS cultivam açaí na região litorânea que mostra a agroindústria Morro Azul e traz uma fala da nutricionista Daniele Galeriano sobre as propriedades do açaí de juçara como alimento.


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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