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( 24/11/2005 ) Rede Terra do Futuro oportuniza intercâmbio entre estudantes e agricultores
 


Parece que desta vez o trabalho de conscientização ambiental desenvolvido pela Escola Baréa, na comunidade de Santo Anjo da Guarda, em Três Cachoeiras ( litoral norte do RS) vai atravessar o Atlântico e chegar até a Escandinávia. Foi na quarta-feira, 23 de novembro, que os alunos e alunas receberam a visita dos agricultores ecologistas suecos Helena e Stefan von Bothmer, de seus filhos Benjamin e Siri e de Lena Bergström.
Desde o dia 14 de novembro o grupo está conhecendo a região através de um projeto de intercâmbio promovido pelo Grupo Amigo do Centro Ecológico na Rede Terra do futuro, da Suécia.
Na Escola Baréa, os visitantes conversaram com alunos e alunas de todas as séries do ensino fundamental. Os estudantes falaram sobre a Semana da Conscientização Ambiental – SCA e apresentaram trabalhos resultantes de projetos apoiados pelo Centro Ecológico, como o Biobanco de Sementes - organizado a partir do projeto Biodiversidade - e um lanche totalmente ecológico com pães, pastas e sucos preparados pelos próprios estudantes da 8ª série, a partir do projeto Consumo Solidário, Ecologia e Alimentação Saudável. Os visitantes conheceram também as pilhas de compostagem, o quintal agroflorestal e as árvores nativas cultivadas no pátio da escola.
Os estudantes por sua vez, aproveitaram para conhecer um pouco sobre o modo de vida e o meio ambiente do distante país. As perguntas foram desde como os agricultores plantavam no gelo, quais eram as árvores nativas, se os filhos Benjamin e Siri tinham educação ambiental na escola, até o endereço no Orkut para troca de fotos e mensagens.
A família von Bothmer está hospedada na propriedade da família Fernandes, na Raposa. Lena está no Morro do Forno, na propriedade de Maria Elena Gomes.
A visita está sendo acompanhada pela sueca LC Thors, do Grupo Amigo do Centro Ecológico, na Rede Terra do futuro.

Um pouco sobre a Suécia, de acordo com os visitantes
A Suécia fica na região escandinava da Europa, ao lado da Noruega e da Dinamarca. Tem 9 milhões de habitantes, mas somente 2% são agricultores. Mesmo assim, é muito difícil viver somente da agricultura, por isso os agricultores procuram complementar sua renda com outras atividades. O casal von Bothmer, por exemplo, além da horta, tem um pequeno restaurante onde serve saladas e frutos do mar, recebem turmas de professores e professoras para dar cursos de educação ambiental e durante o inverno Helena tem um segundo emprego. Lena Bergstrom, além de cultivar a propriedade com o marido e um funcionário, recebe empresas e grupos que desejam realizar eventos em sua propriedade.
O país é do tamanho do estado do Rio Grande do Sul, e 70% de seu território é coberto por florestas secundárias. Há 300 anos quase não existiam mais florestas, em função do ciclo do ferro, que demandava muita energia – que vinha da lenha das florestas.
No inverno, as temperaturas podem chegar a 20 graus negativos, o que equivale a temperatura de um freezer. Esta limitação é superada pelo aquecimento interno em todos os lugares: escolas, casas, prédios públicos e até igrejas. No inverno os agricultores se dedicam a cuidar dos animais e cortar lenha para usar no inverno seguinte.
O salário mínimo é em torno de 1.500 dólares, quer dizer , não existe salário mínimo, é uma média do que as pessoas ganham. Um professor do ensino fundamental recebe cerca de 2.000 dólares, enquanto que um professor universitário recebe 2.500. a licença maternidade é de mais de um ano, e os casais recebem dinheiro para ter filhos.

Um pouco mais sobre os visitantes
Helena e Stefan von Bothmer, com o filho Benjamin de 14 anos e a filha Siri, de 12, vivem em uma ilha bem ao sul da Suécia chamada Koster. Sua propriedade tem 8 hectares, onde eles cultivam uma horta com diversos vegetais que nós cultivamos aqui : cenoura, brócolis, tomates, verduras , dentro do conceito da permacultura – permanent agriculture. Só não podem cultivar bananas, abacaxis, e outras culturas que não têm sementes que sobrevivam ao frio. A ilha Koster tem apenas 350 habitantes, mas no verão – julho e agosto - este número sobe para 350 mil. Siri estuda na escola da ilha – que tem somente 11 alunos. Benjamin vai todos os dias de barco para a escola no continente, que tem 450 estudantes. As escolas têm turnos de 6 horas diárias, onde os alunos estudam inglês desde as primeiras séries e na sétima série passam a estudar ainda um terceiro idioma de sua preferência, entre alemão, francês, ou outros.
Lena Bergström vive em uma propriedade de 800 hectares, chamada Gammelgard, que fica em Hjelte, mais ao norte da Suécia, próximo à capital, Estocolmo. Ela é agrônoma econômica e administradora, além de agricultora. Em Gammelgard, são cultivados muitos grãos, como o trigo, de acordo com o método Biodinâmico.
Apesar de morar em uma grande propriedade, Lena não conta com a ajuda de ninguém para cozinhar, assar pães, servir e limpar tudo quando recebe os visitantes das empresas. São empresas que ao invés de realizar uma conferência em um hotel urbano por exemplo, preferem pagar para fazer o evento em uma propriedade rural.

Sobre o intercâmbio
Moramos longe do Brasil, mas a terra é uma só, disse Stefan, com este intercâmbio aproximamos nossos conhecimentos. O trabalho de agricultura ecológico realizado aqui não é muito diferente do que é realizado lá. Mas aqui os agricultores não separam hora de trabalho das outras atividades. Tudo é trabalho, disse a esposa Helena.


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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