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( 01/11/2010 ) Casa ecológica viabiliza atividades de capacitação para comunidade do Sul de Santa Catarina
 


Na visão dos moradores da Sanga da Madeira, comunidade sul catarinense no Passo de Torres, a Casa da Solidariedade é uma casa muito engraçada. A arquiteta responsável pelo projeto, Roberta Arend, perdeu a conta de quantas vezes foi questionada sobre o formato da edificação ecológica inaugurada em 25 de outubro de 2009.

Mas ao contrário dos versos de Vinicius de Moraes, a Casa da Solidariedade tem teto – de telhas feitas a partir de caixas de leite – e todo mundo pode entrar nela sim, desde que esteja disposto a participar de algum curso ou oficina de capacitação, seja como aprendiz, instrutor ou auxiliar.

Em um ano de funcionamento, a construção que reutilizou mais de dois mil pneus descartados nas fundações e paredes estruturais, blocos de entulho, terra crua, materiais ecológicos e reciclados e tem um manejo sustentável da água, já ofereceu cursos de crochê, bordado, costura, técnicas com chitão, filtro de papel e embalagens para presente, entre outros.

Atualmente estão em andamento dois cursos de artesanato, uma oficina de papel reciclado para adolescentes, um curso de Informática, aulas de reforço escolar e recreação para crianças. As atividades são ministradas nos finais de semana, por vinte e cinco voluntários.

Inclusão digital, geração de renda e ecologia

O final da semana começa mesmo na noite de sexta-feira, quando cinco adolescentes se sentam na frente de computadores doados por amigos e conhecidos dos voluntários e tentam cumprir as tarefas solicitadas pelo estudante de Sistemas de Informação Fabiano Lopes e sua auxiliar Elizete Borba.

Digitar um texto, criar uma pasta, salvar um arquivo, pode ser fácil para quem sempre teve computador em casa. Na Casa, antes de agosto, quando o curso foi iniciado, a maior parte nunca tinha chegado perto de um mouse ou teclado. “É a primeira vez que estou mexendo nisso aí. Toda minha vida não mexi num computador”, diz Bruno Abel de Souza, 15 anos, estudante da 6ª série.

“Nosso objetivo é incluir as crianças, onde os colegas têm computador em casa. Trazê-los para essa realidade da tecnologia. Dar uma ocupação útil e descobrir uma habilidade natural que eles tenham para direcionar um ou outro nesta área”, explica Elizete.

No sábado à tarde, a Casa se movimenta com as oficinas de vasos confeccionados com balões e outra de crochê com plástico reciclado de sacolas de supermercado inutilizadas. Para a voluntária Maria de Lourdes da Rosa, repassar a técnica aprendida na Internet “é um jeito de contribuir com a limpeza do planeta e ajudar as pessoas a ganhar um dinheirinho.”

Elizete Pereira Silveira, que o diga. Dinâmica e habilidosa, na primeira aula já fez uma bolsa. “Faço pano de prato, vidro decorado, trilho de mesa. Nem dou conta de fazer, vendo tudo.” O dinheiro do artesanato tem um destino certo: Está pagando um curso para filha Rafaela no Senac.

Um sonho ajudando a realizar planos

De acordo com a escrevente aposentada Carmem Sampaio de Oliveira, todas as atividades foram viabilizadas pelo lugar: “A Casa da Solidariedade representou tudo: "Nós não tínhamos um espaço, dávamos as oficinas no pátio de uma escola. Então era o crochê ou o crochê. Uma oficina com cola, balão, como essa de hoje, não podia ser no pátio. Além disso a gente faz um trabalho com panos de prato e pinta com giz de cera. A gente pode diversificar.”

O exterior da Casa também é um espaço de aprendizagem. Durante a construção foram realizadas oficinas de tijoletos, parede de taipa de pilão e técnicas construtivas com pneus. As hortas em formato de mandala e canteiros com flores são mais recentes, de oficinas realizadas em setembro.

Além da capacitação, a Casa tem espaço organizado para guardar enxovais para os recém nascidos começarem a vida. Quando os bebês crescem, as mães devolvem as roupas que serão doadas novamente. E assim por diante, em um passe em cadeia.
O desafio agora é ocupar o espaço durante a semana. Um consultório odontológico está nos planos da voluntária Ana Luiza Meirelles. “Os equipamentos nós já temos, falta uma sala apropriada”, esclarece Elizete Borba.

A edificação da Casa da Solidariedade foi um sonho realizado pela vontade dos voluntários - alguns trabalhando há 12 anos junto à comunidade da Sanga da Madeira -, com recursos de doadores particulares e de um projeto desenvolvido pela Ong Centro Ecológico patrocinado pela Petrobras. As atividades de capacitação têm apoio do projeto Soberania Alimentar e Geração de Renda no Litoral Norte do Rio Grande do Sul e Sul de Santa Catarina, implementado em parceria com a Heifer Internacional.


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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