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( 02/10/2010 ) Agricultores ecologistas prestam serviços ambientais globais
 


Recentes previsões dos estudiosos do clima revelam que em 40 anos as temperaturas médias do Rio Grande do Sul poderão subir entre 2ºC e 4ºC, aumentando a ocorrência de riscos ambientais como enxurradas, inundações, temporais e furacões.
Estas evidências apontam que está mais do que na hora de mudar os hábitos de vida, produção e consumo, de forma a reduzir as emissões de gases de efeito estufa(GEE).
É a concentração dos GEE na atmosfera que impede a radiação solar de voltar ao espaço, elevando as temperaturas. Este processo provoca o aquecimento global, que por sua vez ocasiona as mudanças climáticas.


Alimentação e mudanças climáticas

A alimentação é uma das ações humanas que mais gera gases de efeito estufa. Um estudo acadêmico realizado na Universidade de Chicago (EUA) em 2008 comprovou que os hábitos alimentares têm influência direta sobre a produção de GEE.
Isto porque desde a produção com insumos químicos até a mesa dos consumidores, os produtos da agricultura convencional deixam um rastro de impactos ambientais.

Cultivos ecológicos absorvem carbono e prestam serviços ambientais

Por outro lado, um estudo realizado por dez anos pelo Instituto Rodale (EUA) comprovou que a matéria orgânica presente no solo dos cultivos ecológicos absorve 75% do carbono terrestre.

Outros estudos científicos mostram que ao optar por tecnologias sustentáveis de produção, os agricultores e agricultoras prestam serviços ambientais como preservação da diversidade biológica, dos recursos hídricos e do próprio solo.

Em relação ao sequestro de carbono, o Instituto Rodale afirma que se nos próximos 50 anos forem adotadas práticas agrícolas ecológicas em escala, 66% de todo o atual excesso de CO2 poderia ser capturado pelos solos mundiais, produzindo alimentos de qualidade para uma população saudável.


Alimentos bons para a saúde e para o meio ambiente

E se este cenário de pouco carbono na atmosfera muita saúde no prato ainda está longe de se tornar uma realidade para a maior parte das pessoas, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul os estudantes de seis escolas municipais e duas estaduais já estão consumindo produtos de baixo carbono da Cooperativa de Produtores Ecologistas Econativa.

Um dos alimentos é a polpa do açaí da Mata Atlântica, que além do alto valor nutricional, é feita com fruto de uma espécie fundamental para a conservação da Mata Atlântica.

Em Três Cachoeiras, a nutricionista do município Daniele Galeriano, elaborou um cardápio que inclui saladas orgânicas, frutas, sucos orgânicos e batida de açaí em dias alternados. Em Mampituba as merendeiras também se esforçam para oferecer refeições de verdade, com arroz, feijão e hortaliças.

Diante dos resultados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolas ( PeNSE) do IBGE ( Instituto Nacional de Geografia e Estatística) divulgados em agosto desse ano, tais medidas representam uma possibilidade de que as crianças e adolescentes dessas escolas não venham a ser incluídos nas estatísticas que mostram que os estudantes gaúchos estão cada vez mais gordinhos, menos saudáveis e se alimentando cada vez pior.

Com alimentos cultivados através de métodos agroecológicos e também em sistemas agroflorestais, não somente os estudantes destas oito escolas, mas também os consumidores das cooperativas EcoTorres ( Torres) Coopet ( Três Cachoeiras) CooperVida ( Praia Grande – SC) e Viver Mais ( Araranguá-SC) e da Feira Ecológica Lagoa do Violão em Torres, estão contribuindo para esfriar o planeta e obtendo dos alimentos uma quantidade superior de antioxidantes, vitaminas e sais minerais.


Sistemas Agroflorestais (SAFs)
Os Sistemas Agroflorestais (SAFs), cumprem um papel importante na conservação e regeneração da biodiversidade, recursos hídricos e naturais da Mata Atlântica, na medida em que espécies vegetais típicas do bioma são reincorporadas às áreas de produção. Assim, ao invés de produzir só banana em um sistema de monocultura,busca-se reproduzir o ecossistema original, imitar a natureza com plantio de árvores nativas e ameaçadas de extinção.

Além do ganho ambiental, esse tipo de manejo ajuda a complementar a renda das famílias agricultoras e oferecendo também maior capacidade de resiliência. Com os SAFs, a oposição entre produção agrícola, qualidade de vida e preservação do meio ambiente pode ser superado.

No Litoral Norte do Rio Grande Sul e no Sul de Santa Catarina, o Centro Ecológico vem promovendo os SAFs junto às famílias de pequenos agricultores desde 1991.


Esta matéria foi publicada A PEDIDO em dois jornais do Litoral Norte do RS, no âmbito do projeto Agricultura Ecológica e Serviços Sócio Ambientais, com apoio da ICCO (Organização Intereclesiástica de Cooperação para o Desenvolvimento) e implementada no Litoral Norte do Rio Grande do Sul pela ONG de assessoria técnica Centro Ecológico.

O projeto Agricultura Ecológica e Serviços Sócio Ambientais propõe soluções práticas, no âmbito da agricultura familiar, não limitando-se apenas às soluções pontuais e isoladas tais como a recuperação de matas ciliares, à proteção de fontes ou outras práticas localizadas.

Tendo a agroecologia como princípio orientador e o reconhecimento dos serviços sócio ambientais prestados pelas famílias agricultoras como merecedores de incentivos específicos, uma de suas propostas é construir um referencial teórico/prático de mudança da base tecnológica em pequenas propriedades rurais manejadas com mão de obra familiar/campesina.

São quatro instituições proponentes e parceiras responsáveis pela implementação e gestão do projeto:Fundação para o Desenvolvimento Econômico Rural da Região Centro Oeste do Paraná - RURECO, Centro Ecológico, Centro de Treinamento Pecuarista - CTP, Comité de Iglesias Para Ayudas de Emergencia - CIPAE( Paraguai).


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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