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( 06/09/2010 ) Seminário e Feira da Agroecologia em Ipê marcam aniversário de 25 anos do Centro Ecológico
 




Na abertura do Seminário Desafios para o Fortalecimento e Ampliação da Agricultura Ecológica realizado na manhã de domingo, dia 5, na Escola Frei Casimiro Zafonatto em Ipê, a agrônoma Maria José Guazzelli disse que era uma satisfação muito grande nos 25 anos do Centro Ecológico, o crescente envolvimento do município com a Agroecologia.

Junto com a Feira de Agroecologia, Biodiversidade e Artesanato na Praça da Matriz e o almoço ecológico no Salão Centenário, o seminário foi uma forma de celebrar a atuação da ONG e das famílias agricultoras que desde o final dos anos 1980 acreditaram na viabilidade de uma agricultura orientada pela preservação ambiental.

Em sua palestra, a idealizadora do projeto Vacaria - que mais tarde viria a se tornar o Centro de Agricultura Ecológica Ipê-, analisou a agricultura convencional e a agricultura ecológica sob a perspectiva das crises do clima, da água e da saúde.

Clima, água e saúde

Em relação à crise climática, explicou que a agricultura convencional depende de adubos químicos, agrotóxicos e irrigação intensa; tudo isso depende de consumo de energia e quanto mais energia é consumida, maior a produção de CO2, que é um dos gases de efeito estufa.

Na questão da água, apontou os adubos e agrotóxicos que vão para os riachos, rios e mares como responsáveis pela existência de zonas já consideradas mortas.

Na saúde, disse que os pesquisadores conectaram a presença de resíduos de agrotóxicos nos alimentos a doenças como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), puberdade precoce, câncer, queda da fertilidade, doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson.

Solos ricos em matéria orgânica para esfriar o planeta

A agricultura ecológica por sua vez, não usa agrotóxicos nem adubos químicos, tem menor necessidade de irrigação e os solos ricos em matéria orgânica retêm mais carbono. “Um estudo realizado por dez anos pelo Instituto Rodale, dos Estados Unidos, comprovou que "a matéria orgânica presente no solo dos cultivos ecológicos é mais eficaz para esfriar o planeta do que plantar árvores”, destacou a agrônoma, lembrando que os agricultores ecologistas são também prestadores de serviços ambientais.

Com base em pesquisas, Maria José associou o consumo de alimentos ecológicos a melhores condições de saúde: “Verduras ecológicas têm até 97% a mais de antioxidantes, que ajudam a limpar o organismo, impedindo a formação de moléculas de radicais livres, prevenindo doenças e o envelhecimento precoce”.
Finalizando sua apresentação, Maria José convidou os presentes a refletir sobre formas de incentivar cada vez mais agricultores a produzir ecologicamente.

Feira da Agroecologia, Biodiversidade e Artesanato

Na Feira da Agroecologia, Biodiversidade e Artesanato, as bancas mostravam tramas de fibras naturais, sucos, chimias, hortaliças ecológicas, doces tradicionais, sementes crioulas, feijões, mudas de árvores nativas, raízes e tubérculos. Um conhecimento que resiste ao tempo através do trabalho de famílias, pessoas, grupos e associações da Serra e do Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

De Ipê, estavam a Associação de Desenvolvimento Cultural, Turístico e Econômico de Vila Segredo; Nara Forest; os Dalsasso que levaram processados de cana, melado, açúcar mascavo e rapaduras produzidos pela família há pelo menos três gerações. Clara Scapineli, levou São Francisco, Santo Antonio, a Sagrada Família, anjos e bruxas feitos com a palha de milho que ela mesma plantou. Chapéus e bolsas em palha de trigo, bem aceitos pela colônia italiana, eram os produtos da banca da família Rigo. Maria Eva Fernandes mostrava suas peças em crochê, tricô, bordados de fita e vagonite. A Pastoral da Saúde estava lá com cremes e xaropes à base de ervas e fitoterápicos. Assim como Zilda Finardi, que além do xampu fortalecedor e do sabonete de babosa feitos com as ervas que ela cultiva, vendia sabão de polvilho e sabão de óleo reciclado. A Econativa – Cooperativa dos Produtores Ecologistas tinha doces de frutas processados, em tabletes ou geléias. A Apesa (Associação de Produtores Ecologistas de Antonio Prado) levou feijão amendoim, feijão carioca, feijão azuki, feijão olho de cabra, sementes de abóbora, de moranga para tortéi, girassol, linhaça dourada, verduras , hortaliças ecológicas e mudas. A banca da Agro Lorenzetti e a Agro Santa Catarina - agroindústrias familiares de associados da Apesc (Associação dos Produtores Ecologistas da Capela Santa Catarina), tinha biscoitos de milho, sucos, sal temperado, rotulados e certificados pela Rede Ecovida de Agroecologia. “A gente tem um trabalho bastante rigoroso para chegar até esse rótulo com selo da Rede Ecovida”, explicou Antonio Lorenzetti sobre os biscoitos que além de artesanais, são orgânicos e o rótulo em questão traz todas as informações que o consumidor precisa saber: ingredientes, valor calórico, fibra alimentar, gorduras trans e saturadas, carboidratos, data de validade, nome e telefone da família que produziu. Na mesma banca da Apesc, Vilmar Menegat expunha e doava seu valioso acervo: feijão cinquentinha amarelo, pipoca, feijão mouro, feijão capoeira de corda, orelha de padre, amaranto, feijão berinjela, lentilha miúda, milho cateto indiano, feijão cinquentinha vermelho, pipoca vermelha, milho crioulo e feijão branco.

A disseminação de sementes crioulas é a razão do projeto Semear, que veio de Erval com feijão de porco, milho oito carreiras branco,fava, milho doce, feijão miúdo, lágrima de Nossa Senhora e linhaça dourada. Rodrigo Moura dos Santos, um dos responsáveis pelo projeto, relatou que muitos agricultores chegam no ponto de troca que acontece no segundo sábado de cada mês e dizem: “Ah, vocês têm essa semente, não vejo há mais de 20 anos, quando minha mãe plantava! Para Santos, não apenas os agricultores devem se preocupar em preservar a agrobiodiversidade in situ, mas também os consumidores urbanos, que podem ter uma hortinha com feijões, temperos.

Litoral Norte na Feira da Agroecologia

Do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, onde o Centro Ecológico começou a trabalhar no início dos anos 1990 com apoio da Pastoral Rural da Igreja Católica, participaram o Grupo de Mulheres Ecologistas do Morro do Forno e o projeto da Prefeitura Municipal de Mampituba Resgatar a vida educando, preservando e promovendo a saúde. Com uma diversidade de raízes e tubérculos desconhecidos na região serrana, a banca do Morro do Forno foi uma das mais visitadas e o agricultor Jorge Steffen teve que responder muitas perguntas sobre physalis, cará aéreo, cará da terra, araruta, gengibre e açafrão. "O pessoal daqui não conhecia cará da terra e até encomendaram" contou a agricultura Maria Elena Gomes.

O projeto de Mampituba foi representado pela vice-prefeita Ana Moro e Maria Salete Monteiro , da Roça da Estância. Estamos representando o projeto, divulgando o município. É uma forma de incentivar o pessoal a participar do trabalho com artesanato, especialmente o pessoal do Bolsa- Família, salientou Ana, mostrando os trabalhos de tear feitos em plástico reciclado e fibra de bananeira.

Os núcleos Raposa e Mampituba da Acert ( Associação dos Colonos Ecologistas da Região de Torres) enviaram representantes, assim como a Apemsul ( Associação dos Produtores Ecologistas de Morrinhos do Sul), Grupo Tatu do Morro Azul ( Três Cachoeiras) e um grupo do município do Morro do Chapéu ( Três Forquilhas) que está em processo de organização.

I Festa Municipal da Agroecologia
Estas atividades integraram a programação da I Festa Municipal da Agroecologia em Ipê, promovida pela Prefeitura Municipal com apoio das Secretarias Municipais de Educação e Cultura; Turismo, Desporto e Lazer; Sáude, Obras; Fazenda e Administração; CTG Tronco de Ipê; Escola Estadual Frei Casimiro Zafonatto; Associações Ecologistas de Ipê; Acisa; Assuni; Centro Ecológico; Emater e Câmara de Vereadores.


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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