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( 29/04/2010 ) Seminário destaca alimentação e propõe que participantes sejam educadores ambientais de si mesmos
 


Infelizmente mesmo com o maior empenho e boa vontade não poderemos restabelecer as geleiras. Mas podemos reduzir os impactos das nossas ações diárias sobre o planeta e este é o primeiro passo do processo de educação socioambiental: educar-se a si mesmo, reconhecendo suas fragilidades e limitações.

Esse comprometimento com o cotidiano pessoal e diário foi o desafio lançado por Elisabeth Maria Foschiera, na manhã de quarta-feira, 28, durante o 2o Seminário Regional de Educação Ambiental Aquecimento Global: A Educação Ambiental pode esfriar o planeta? no auditório da Prefeitura Municipal de Três Cachoeiras(RS).

Após a abertura realizada pela secretária de educação do município -Ana Mara Machado Maggi- e a apresentação do mediador Laércio Meirelles- coordenador do Centro Ecológico - , a mestre em educação iniciou sua palestra perguntando quem estava no primeiro seminário regional em 2008 e quem lembrava do que havia sido falado sobre não dar a descarga toda hora, carregar sua canequinha na bolsa para tomar água e café, reduzir o uso de plásticos, reduzir o consumo: “É uma briga diária, cotidiana, como a gente tem dificuldade de não comprar alguma coisa”, destacou, recomendando que os participantes assistissem o vídeo A História das Coisas.

Com a proposta de trabalhar a sensibilização, Elisabeth prosseguiu apresentando cinco vídeos nos quais poderiam ser identificados alguns conceitos fundamentais para o trabalho com educação socioambiental: solidariedade, complexidade ( tudo tem a ver com tudo e na Terra tudo está interligado), valorização do saber popular e necessidade do conhecimento acadêmico assumir sua função social, coerência entre o que falamos e que fazemos. Sobre este último citou como um dos maiores exemplos de incoerência nas escolas as aulas sobre alimentação saudável: “Terminou a aula de alimentação, as crianças vão todas para cantina da escola comer nada a ver do que foi falado e os professoras vão pra sala de professores também comer nada a ver com o que foi falado.”

Elisabeth finalizou propondo aos participantes a adoção de atitudes práticas como redução do consumo de plástico, água, luz, carne, uso do carro, e aumento do consumo de orgânicos : “Se nós conseguirmos uma proposta desta como tema gerador estaremos conseguindo fazer um pedacinho do trabalho.”

À tarde os alunos da professora Silvia Boff Pinto, da Escola Estadual São Jorge, da comunidade do Morro do Forno, Morrinhos do Sul apresentaram uma peça sobre consumismo, baseada no livro Pedro compra tudo e Aninha dá recados.

Em seguida Julian Perez, engenheiro florestal e doutorando em Meio Ambiente e Desenvolvimento na Universidade Federal do Paraná (UFPR) falou sobre a importância do papel da alimentação escolar para a o trabalho com educação ambiental nas escolas.

Perez iniciou contextualizando a segurança alimentar no mundo e no Brasil e questionando sobre a dimensão que a alimentação tem para as escolas e professores: É uma dimensão muito maior que encher a barriga e diz respeito a tudo que a alimentação traz para dentro da escola. O engenheiro que participou de todo o processo de discussão da Lei 11.947, sancionada em junho de 2009 e que regulamenta a alimentação escolar, apontou os muitos benefícios advindos dos alimentos orgânicos para os estudantes das escolas públicas: oferta de alimentos de qualidade, abertura de um canal estável de comercialização para agricultores familiares, oportunidade de discutir em sala de aula questões como sustentabilidade, hábitos alimentares e cultura alimentar. Para os agricultores familiares é um processo importante de construção de autonomia e valorização, pois o agricultor passa a participar dos processos da escola como alguém de referência, contribuindo par a o desenvolvimento político e social da proposta da agroecologia, enfatizou o palestrante.

A última atividade do seminário coube ao diretor do Departamento do Meio Ambiente de Três Cachoeiras e membro da Teia de Educação Ambiental Mata Atlântica - Sidilon Maurício Ferreira Mendes-, que falou sobre a experiência do açaí da palmeira Euterpe edulis na alimentação escolar de Três Cachoeiras. Desde setembro de 2009, as merendeiras das escolas escolas Felipe Schaeffer, Fernando Ferrari e Centro de Educação Infantil Abelhinha oferecem aos alunos vitamina preparada com açaí e banana ecológica, além de outros produtos orgânicos como suco de uva e molho de tomate. Sidilon destacou a importância da introdução deste alimento tanto para a floresta – onde a palmeira juçara tem papel fundamental -, quanto para a saúde dos alunos e alunas, que passaram a consumir um produto com alto teor de nutrientes.

O evento que teve a participação de 224 professoras e professores de escolas de Três Cachoeiras, Dom Pedro de Alcântara, Morrinhos do Sul, Torres e Araranguá (SC)foi promovido pelo Centro Ecológico, Teia de Educação Ambiental Mata Atlântica e Prefeitura Municipal de Três Cachoeiras, com apoio da Sociedade Sueca para Proteção da Natureza (SSPN).

Clique na foto abaixo para ver mais imagens do 2º Seminário Regional de Educação Ambiental.



   
 

Cursos

5/12
Encontro Estadual da Cadeia de Frutas Nativas
11/12
Encontro de Mulheres do Litoral


 

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