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( 28/10/2009 ) Casa ecológica vai abrigar projetos sociais no Sul de Santa Catarina
 


No domingo, 25 de outubro, a Casa da Solidariedade abriu suas portas recicladas para mais de 40 convidados da comunidade da Sanga da Madeira e voluntários celebrarem a realização de um sonho. A trilha sonora ficou por conta do grupo de violões Teahupoo, formado por seis jovens do bairro Guarita, de Torres.

A ideia de ter um local para abrigar oficinas de artesanato, reforço escolar para crianças e atividades de capacitação e formação profissional para jovens e adultos desta comunidade localizada no município de Passo de Torres, começou a sair do papel através de um projeto implementado pelo Centro Ecológico com patrocínio da Petrobras. A construção também contou com o apoio de colaboradores voluntários.

Em abril deste ano, os primeiros pneus sucata foram acomodados na fundação e ao longo de sete meses, o próprio canteiro de obras foi uma sala de aula ao ar livre, onde a equipe e moradores da Sanga aprenderam diversas técnicas sustentáveis de construção utilizadas pela eco-arquiteta Roberta Arend e o bio-construtor Gustavo de Souza.

A partir de agora a Casa da Solidariedade vai continuar e ampliar as possibilidades de mais de uma década um trabalho voluntário cujo objetivo é transformar indivíduos e comunidade através do conhecimento. O projeto Soberania Alimentar e Geração de Renda no Litoral Norte do Rio Grande do Sul e Sul de Santa Catarina apoiado pela Heifer Internacional / Programa Brasil Argentina vai viabilizar a realização de muitas destas atividades.

Como a construção da casa é um capítulo a parte, Gustavo de Souza descreve no texto abaixo um pouco das técnicas utilizadas em sua construção:

O projeto de arquitetura ecológica criado para a Casa da Solidariedade contemplou a reciclagem de lixo, o uso de materiais renováveis e de baixo impacto, a utilização de eco-técnicas construtivas, saneamento ecológico, coleta de água da chuva, dentre outros aspectos que envolvem o planejamento de um design sustentável.

As fundações da edificação foram executadas em pneus, bem como algumas das paredes estruturais, totalizando a reutilização de mais de 1800 unidades de pneus sucata, o que corresponde em energia a mais de 16.920 litros de petróleo.

As paredes estruturais em pedra e terra crua sustentam a estrutura do telhado que foi coberto com telhas plástico-aluminizadas provenientes de caixas de leite e sucos industrializados.

Outro aspecto ecológico foi a utilização de tijolos prensados de solo-cimento que não são queimados e assim deixam de emitir CO2 na atmosfera. Também foi executada parte da obra com blocos de alvenaria reciclada, tirando-se do entulho a matéria-prima de base para a confecção.

O recurso água foi tratado com o máximo cuidado. Tirando partido da coleta de água das chuvas e de um sistema biológico e sustentável para o saneamento. Os eco-construtores que há mais de nove anos vêm pesquisando e aplicando técnicas sustentáveis em seus trabalhos salientam ainda que a terra é um material que oferece ótimas características e que atravessou milênios acompanhando a evolução cultural da humanidade. Cerca de dois terços das habitações do Planeta Terra são construídas em terra, e hoje no mundo há mais de 1 bilhão de pessoas vivendo em casa construídas de bambu. Ocorre que o modelo de construção industrial que se massificou no ocidente no último século além de poluição e insustentabilidade, trouxe uma formatação dos padrões adotados que levou os trabalhadores da construção civil a perder conhecimentos de sistemas construtivos tradicionais e muito eficientes, e isso beneficia somente à indústria da construção. Hoje os desafios da Bio-arquitetura são resgatar esses conhecimentos e aplicá-los com critérios que levem à qualidade, trazendo de volta ao público consumidor esta possibilidade de construção que é bom para as pessoas e bom para o Planeta.

Clique na foto abaixo e veja mais fotos da construção da Casa da Solidariedade e de algumas oficinas.



   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

Ipê-Serra - Rua Luiz Augusto Branco, 725 - Bairro Cruzeiro / Cep: 95.240-000 / Ipê - RS / Fone: 0xx (54) 3233.16.38 / E-mail: serra@centroecologico.org.br
Litoral Norte - Rua Padre Jorge, 51 / Cep: 95.568-000 / Dom Pedro de Alcântara-RS / Fone/fax: 0xx (51) 3664.02.20 /E-mail:litoral@centroecologico.org.br