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( 10/09/2009 ) PROJETO IGUATU: um elo entre a conservação ambiental e o a agricultura camponesa no PR
 


Promover a gestão adequada dos recursos hídricos junto à agricultura familiar, através do desenvolvimento da agroecologia, gerando indicadores e referenciais técnicos e científicos, contribuindo para a resolução dos problemas ambientais e para a melhoria da qualidade de vida das populações locais.

Esta é a proposta do “PROJETO IGUATU: Redesenhando a Gestão dos Recursos Hídricos na Agricultura Familiar do Paraná através da Agroecologia”, patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobrás Ambiental, que desde 2005, vem contribuindo com mudanças significativas na agricultura familiar e camponesa nas regiões Centro-Sul e Norte Pioneiro do Paraná, nos Campos Gerais, no Vale do Ribeira (Paraná e São Paulo), na região metropolitana de Curitiba.

O projeto é fruto da parceria entre a Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (AOPA) – proponente do projeto – três organizações da agricultura familiar e camponesa – Cooperativa Central de Reforma Agrária do Paraná (CCA-PR), Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo (Cooperafloresta), Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul/CUT), – e instituições de ensino, pesquisa e extensão – Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Embrapa Florestas.

A parceria reforçou ações e projetos que já estavam em andamento nas regiões de abrangência e tem proporcionado cada vez mais aos beneficiários a melhoria da qualidade de vida, uma vez que atenta para elementos da conservação ambiental e da biodiversidade aliada a produção de alimentos saudáveis, sem descuidar do bem-estar social.

Além disso, o Iguatu tem garantido o protagonismo das comunidades nas tomadas de decisão, estimula a cooperação, possibilita formação e qualificação técnica, a experimentação e a pesquisa, envolvendo agentes multiplicadores, famílias assentadas e de agricultores familiares, educandos(as) e técnicos(as), com o domínio das tecnologias desenvolvidas e resgatadas, até então, dentro da agroecologia e da permacultura.

Para discutir e aperfeiçoar um plano de desenvolvimento para o campo, com inserção de novas tecnologias, práticas agrícolas sustentáveis, possibilitando o avanço das conquistas nos planos social, ambiental e econômico das famílias camponesas e dos pequenos agricultores no Paraná, o Projeto possibilitou a realização de dezenas de cursos de capacitação, além da contratação de técnicos e de agentes multiplicadores – responsáveis pelas atividades à campo.

Aliados nesta formação e qualificação técnica, os Centros de Formação em Agroecologia, ligados a CCA-PR e outros movimentos sociais da Via Campesina, têm cumprido um papel importante ao contribuir para a consolidação de um modelo de produção eficiente, produzindo alimentos sadios e gerando qualidade de vida para as famílias camponesas.

Ao longo do seu desenvolvimento, totalizam 675 famílias beneficiadas diretamente, e 2.700 famílias de forma indireta.

Nas áreas de reforma agrária – territórios de abrangência da CCA-PR – foram desenvolvidas uma série de atividades voltadas à proteção do ambiente e enriquecimento da biodiversidade, como a implantação de viveiros florestais, áreas de adubação verde, sistemas agroflorestais e áreas de sombreamento de cultivos e pecuária; dentre as bioconstruções, pode-se citar a construção de dezenas de proteções de fonte, cisternas para captação de água da chuva, chiqueiros e esterqueiras, banheiros secos, biofossas e biodigestores, além de experimentação de tecnologias de geração de energia alternativa.

Outro aspecto fundamental na execução do Projeto Iguatu foram as atividades de formação, pesquisa, educação ambiental, experimentação e fomento à agroecologia, sob as premissas básicas da cooperação, da produção diversificada de alimentos saudáveis e da conservação dos recursos hídricos e do ambiente.

A implantação de áreas experimentais com sombreamento de café, erva-mate e de pastagens concebidas dentro dos moldes do Pastoreio Racional Voisin (PRV) nas áreas de abrangência da CCA-PR contou com a capacitação técnica dos envolvidos e com a parceria da Embrapa Florestas.

Ainda, fruto de pesquisas a campo e do trabalho de técnicos capacitados da CCA-PR, algumas áreas de assentamentos da reforma agrária puderam desenvolver e aplicar, com participação efetiva das comunidades beneficiárias, metodologias para o planejamento dos territórios dos assentamentos de reforma agrária, com enfoque ambiental. Isto foi possível graças ao domínio das tecnologias de georreferenciamento e elaboração de cartas temáticas para demarcação e caracterização dos agroecossistemas.

Para tanto, o planejamento prevê a demarcação das Áreas de Preservação Permanente (APP’s) e da(s) área(s) de Reserva Legal (RL), em cumprimento com a legislação ambiental vigente. Esta mesma atividade foi desenvolvida nas áreas da agricultura familiar e dos sistemas agroflorestais, da Fetraf-Sul/CUT e da Cooperafloresta, respectivamente.

Vale ressaltar que esta metodologia visa a conservação do ambiente sem, no entanto, estabelecer uma relação excludente entre homem e natureza. Pelo contrário, estas, e todas as demais atividades desenvolvidas pelo Projeto Iguatu, nos últimos cinco anos, objetivaram uma aproximação ainda maior entre gentes e mato, como entes complementares para a conservação dos ambientes naturais e a melhoria na qualidade de vida dos agricultores familiares e camponeses do Estado do Paraná.



Indianara Cristina Pires

bióloga, técnica de apoio da CCA-PR, no Projeto Iguatu


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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