Notícias
 
( 02/06/2009 ) Feira da Biodiversidade e Feira da Economia Solidária no Litoral Norte
 


O sistema alimentar e cultural da atualidade vem fomentando a substituição da diversidade gerada em centenas de séculos pela uniformidade de algumas décadas. Ao mesmo tempo em que elimina milhares de hectares de florestas, reduz a extensão e a qualidade dos solos cultiváveis, por problemas que vão desde a desertificação até às tragédias climáticas.

A agricultura ecológica e o saber partilhado parecem ser o elo perdido neste aparente abismo entre produção de alimento e preservação ambiental.

Em uma região de Mata Atlântica, e em um tempo em que se discute a ampliação da fronteira agrícola à custa das matas ciliares e das florestas nativas, vale a pena olhar ainda mais de perto a Feira da Biodiversidade, que há sete anos é realizada na sede de Três Cachoeiras. O evento foi realizado nos dias 2 e 3 de junho, integrando a programação da Semana Municipal do Meio Ambiente.

Neste ano, a 7ª Feira da Biodiversidade incorporou a 1ª Feira da Economia Solidária do município, reunindo sob uma mesma tenda dezoito grupos e associações rurais e urbanos de comunidades de Maquiné, Três Cachoeiras, Morrinhos do Sul, Três Forquilhas, Torres e de Praia Grande, em Santa Catarina.

Nas bancas o público formado principalmente por estudantes e professoras das escolas locais, via o resultado de alguns projetos desenvolvidos na região. A grande maioria dos trabalhos agregava algum tipo de valor ambiental: agricultura ecológica, uso de sustentável de plantas em artesanato, paisagismo e decoração, ou pela transformação de fibras naturais em papéis, álbuns, cadernos e embalagens dignos de freqüentar as prateleiras das melhores papelarias do mundo. Outros grupos, como o do Fuxico, Conselho do Clube de Mães de Torres, Cootav, Torresart e Raízes da Arte têm sua organização fortalecida por este tipo de evento, a exemplo do que ocorreu nas duas edições da Feira da Economia Solidária de Torres.

Os estudantes das escolas Baréa, Manoel João Machado e Dom Pedro de Alcântara que participam do projeto Soluções Ambientais para Problemas Sociais, implementado pelo Centro Ecológico com apoio da Framtidsjorden – Rede Terra do Futuro- estiveram à tarde visitando as bancas.

Desafios e Caminhos da produção e Comercialização de Produtos Ecológicos na Região da Mata Atlântica

Longe de apontar soluções, este seminário mostrou, segundo o mediador Laércio Meirelles, quatro experiências - ou quatro pistas - por onde se pode navegar para atingir o objetivo de manter o espaço rural vivo e preservado.

A experiência da Econativa - Cooperativa Regional de Produtores Ecologistas, apresentada por seu Coordenador Geral Sidilon Mendes, destacou a importância da organização e representatividade institucional dos agricultores para que o produto ecológico chegue ao mercado consumidor. Em quatro anos de atividades, a Econativa passou a fornecer doce de banana para a merenda escolar de Florianópolis, produtos para o Programa de Compra Antecipada da Conab que beneficia cerca de sete mil pessoas do Litoral Norte e no próximo mês passa a fornecer polpa de açaí da palmeira juçara para os alunos da rede pública de Três Cachoeiras.

Já a Amadecom – Associação de Mulheres Agricultoras Comunitárias para o Desenvolvimento de Três Forquilhas- , está buscando se adequar às exigências da legislação para continuar a comercializar massas, pães e queijos. No momento estamos vendendo produtos in natura, informou Celi, Aguiar,uma das organizadoras da associação.

A Acert – Associação dos Colonos Ecologistas da Região de Torres, hoje estruturada em três núcleos, começou no início dos anos 90 com o idealismo dos jovens da Pastoral da Juventude Rural, apoiados pela Pastoral Rural e pelo Centro Ecológico. No rastro da Acert, outras tantas famílias – cerca de 200 - se organizaram em grupos e associações. Apesar de distribuir seus produtos nas cooperativas da região e feiras, o foco central da Acert é a Feira da José Bonifácio, em Porto Alegre, onde circulam umas dez mil pessoas todos os sábados pela manhã, calcula Mauro Fernandes, que relatou a experiência da que é considerada a vovó das associações.

Cátia Bauer, do Movimento de Mulheres Camponesas Regional apresentou o trabalho realizado pelo MMC e MMT - Movimento de Mulheres Urbanas, em uma dezena de hortas comunitárias que garantiram uma alimentação mais saudável e maior segurança alimentar para famílias urbanas de Três Cachoeiras.

A 7ª Feira da Biodiversidade e 1ª Feira da Economia Solidária de Três Cachoeiras foi organizada pelo Movimento de Mulheres Camponesas, Econativa e Centro Ecológico, com apoio da ACERT – Associação dos Colonos Ecologistas da Região de Torres, COOPET - Cooperativa dos Consumidores de Produtos Ecológicos de Três Cachoeiras, Paróquia de Três Cachoeiras e Prefeitura Municipal de Três Cachoeiras.
O evento foi viabilizado através do projeto Agricultura Ecológica, Soberania Alimentar e Economia Solidária, patrocinado pela Petrobras e desenvolvido pelo Centro Ecológico.
Clique na foto abaixo para conferir mais imagens da feira.


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

Ipê-Serra - Rua Luiz Augusto Branco, 725 - Bairro Cruzeiro / Cep: 95.240-000 / Ipê - RS / Fone: 0xx (54) 3233.16.38 / E-mail: serra@centroecologico.org.br
Litoral Norte - Rua Padre Jorge, 51 / Cep: 95.568-000 / Dom Pedro de Alcântara-RS / Fone/fax: 0xx (51) 3664.02.20 /E-mail:litoral@centroecologico.org.br