Notícias
 
( 26/10/2008 ) Agricultores e técnicos do litoral participam de viagem técnica à Cooperafloresta
 




Há quem pense que para produzir alimentos para uma população crescente, não existe alternativa que não a derrubada das florestas para cultivos que via de regra, nem servirão para alimentar as pessoas. Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática), todos os anos desaparecem 13 milhões de hectares de florestas e com eles, serviços ambientais vitais como conservação do solo, água, biodiversidade e seqüestro de carbono.

No entanto, os sistemas que combinam produção agrícola com frutíferas e florestais nativas – respeitando e imitando a floresta - têm se mostrado não apenas mais eficientes, diversos e produtivos, como também mais adaptáveis a diferentes culturas e saberes.

No Litoral Norte do Rio Grande do Sul e no Sul de Santa Catarina, estes sistemas chamados Agroflorestais – SAFs – vêm sendo desenvolvidos desde o início do trabalho do Centro Ecológico na região, em 1991, principalmente nos bananais. Hoje, dezenas de agricultores e agricultoras conseguem produzir e comercializar alimentos das suas agroflorestas ou quintais agroflorestais.

Para aprofundar o conhecimento sobre os princípios do manejo agroflorestal, um grupo de agricultores, agricultoras e técnicos dos municípios de Maquiné, Três Forquilhas, Três Cachoeiras, Morrinhos do Sul e Mampituba, do RS e de Praia Grande, Jacinto Machado e Santa Rosa do Sul, de SC, visitou as propriedades de associados da Cooperafloresta, na Barra do Turvo, SP, entre os dias 20 e 22 de outubro.

A Cooperafloresta é uma associação fundada em 2001, que funciona em sistema de cooperativa, integrando aproximadamente 80 famílias organizadas em 12 grupos. Cada grupo recebe acompanhamento técnico de um agente agroflorestal.

A realidade sócio-econômica e até geográfica é bastante difícil, relatou o agricultor Paulo Fernandes, da ACERT Raposa ( Associação dos Colonos Ecologistas da Região de Torres – Núcleo Raposa): “Eles estão produzindo alimento numa região que não tem outra opção. Muitos são descendentes de quilombolas. Embora seja montanha – o que não permite mexer com a terra nem nenhum tipo de mecanização, eles conseguem produzir aipim, feijão, verduras de muitos tipos, tomatinho e frutas nativas. Com isso protegem o solo e se viabilizam naquele espaço”. A produção é comercializada nas feiras em Curitiba, PR, por uma equipe de vendas organizada pela Cooperafloresta, que recolhe os produtos nas propriedades. O circuíto de comercialização da Rede Ecovida de Agroecologia e o Programa de Aquisição de Alimentos - PAA - da Conab ( Companhia Nacional de Abastecimento) também são canais de comercialização.

Pelo jeito a fórmula vem dando certo: em cinco anos, a renda destes agricultores que era de um salário mínimo por ano, passou para um salário por mês. “Como eles são auto-suficientes em termos de alimentos, um salário representa um grande acréscimo na renda familiar”, avaliou Paulo.

O grupo de trinta e seis pessoas visitou também uma agroindústria de processamento do açaí.

Esta viagem foi realizada através de projetos financiados pelo FNMA – Fundo Nacional do Meio Ambiente e KFW - Kreditanstalt für Wiederaufbau; PDA e Ministério do Meio Ambiente .


   
 

Cursos

12/11
Extrativismo e Sistemas Agroflorestais - aspectos legais
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

Ipê-Serra - Rua Luiz Augusto Branco, 725 - Bairro Cruzeiro / Cep: 95.240-000 / Ipê - RS / Fone: 0xx (54) 3233.16.38 / E-mail: serra@centroecologico.org.br
Litoral Norte - Rua Padre Jorge, 51 / Cep: 95.568-000 / Dom Pedro de Alcântara-RS / Fone/fax: 0xx (51) 3664.02.20 /E-mail:litoral@centroecologico.org.br