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( 06/02/2008 ) Litoral Norte do RS terá produção centralizada de adubo Bokashi - baixe a receita do composto
 


A partir deste ano, todos os agricultores do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, que trabalham ou querem trabalhar no sistema agroecológico, poderão contar com a facilidade de adquirir o produto pronto e na quantidade adequada para a produção.

Em breve começará a construção de um galpão na propriedade da família Fernandes, na comunidade da Raposa, em Três Cachoeiras. O empreendimento é da Econativa - Cooperativa Regional dos Produtores Ecologistas do Litoral Norte do RS e Sul de SC com recursos do projeto ICEI - Instituto di Cooperazione Economica Internazionale. A previsão é que sejam produzidas entre cem e 150 toneladas já no primeiro ano de atividade. Alem disso, esse galpão também vai servir de depósito para outros insumos da Cooperativa.

Com o acesso ao Bokashi facilitado, espera-se que mais famílias possam cultivar sem fertilizantes químicos e agrotóxicos - especialmente na produção da banana. Estima-se que com a produção ecológica de banana deixam de ser lançadas 1600 toneladas de veneno por ano no meio ambiente da região. Caso o composto Bokashi venha a usar os resíduos resultantes do processo de limpeza e filetagem de peixe feito pelos pescadores de Torres, o Mampituba será ainda mais beneficiado: receberá menos agrotóxicos e menos carcaças, que também contribuem para agravar a poluição do rio.

Abaixo, a receita de Bokashi elaborada pela equipe técnica do Centro Ecológico:

- 400 kg de terra virgem de barranco ou composto (bagaceira de cana decomposta)

- 100 kg de esterco fresco de qualquer tipo ou composto

- 150 kg de torta/farelo de mamona ou bandinha de feijão

-200 kg de pó de rocha (pode ser conseguido na Vila São João, Pederira Barro Cortado)

-150 kg de cinza de lenha ou 50 kg de Sulfato de Potássio (de preferência cinza)

-100 kg de fosfato natural

-4 Kg de sulfato de zinco

-2 kg de boro

-5 litros de leite ou soro de queijo sem sal

-3 kg de melado de cana ou 3 kg de açúcar mascavo ou 15 litros de caldo de cana

-2 litros de inoculante natural (é necessário adquirir ou fazer em casa)

Algumas considerações

Cada agricultor deve pesquisar e adaptar os ingredientes, de acordo com aquilo que existe na sua propriedade principalmente para o primeiro item.

A torta de mamona é responsável por fornecer principalmente nitrogênio para a banana, também pode ser usado bandinha de feijão. O fosfato natural e a cinza complementam e fazem a bananeira dar um cacho pesado, com banana comprida e bem cheia.

O pó de rocha vai ajudar a equilibrar a terra e fornecer os nutrientes que estão faltando, além de aumentar o cacho e dar cor (brilho na folha e banana). O boro e o zinco ajudam a melhorar o cacho, a raiz e fortalecer a bananeira contra o mal-do-panamá e sigatoka-amarela.

É importante ressaltar que o principal motivo de se usar bokashi como adubação de base e cobertura, é o benefício do resultado da fermentação de todos os ingredientes feita pelos microorganismos no inoculante natural, e a colocação desses microorganismos no solo que normalmente está desgastado (pobre em microorganismos de solo nativo). Podemos comparar isso com o leite e o iogurte que tomamos. O iogurte é o produto de uma fermentação, e além de fazer mais bem a saúde do que o leite, está se ingerindo o lactobacilo que é benéfico a nossa saúde.(ver se é esse o bicho que tem no iogurte)

Modo de preparar:

1. O boro e o zinco devem ser fermentados 20 dias antes colocando eles com um pouco de esterco de gado fresco, 5 litros de caldo de cana e leite, 1 litro de fermento e completar com água em um tonel de 50 litros. Este adubo líquido deve ser colocado no bokashi na hora de montá-lo no lugar da água.

2. Colocar 3 kg de melado (caldo de cana ou açúcar), e os 5 litros de leite dentro de uma vasilha com 200 litros de água. Mexer bem e colocar os 2 litros de inoculante natural. Isso deve ser feito antes de iniciar a montagem dos ingredientes (de preferência, 2 dias antes).

3. Reunir os ingredientes necessários no local onde será fabricado o Bokashi, de preferência longe de casa, devido ao cheiro forte nos primeiros dias de fermentação. É bom escolher um local coberto de chão batido porque não pode chover em cima (galpão).

5. Colocar a ¼ da terra ou composto no local onde vai ser fabricado numa camada em torno de 10 cm de altura, na largura e no comprimento faça como quiser.

6. Esparramar sobre a camada de 10 cm de terra ¼ de todos os outros ingredientes iniciando pelos minerais e terminando com o esterco ou farelo de mamona, colocando um de cada vez como se estivesse fazendo uma torta. Todos em camadas finas proporcionalmente a quantidade de cada ingrediente.

7. É muito importante prestar atenção na umidade do Bokashi que deve ser de 50%, é dela que depende uma boa fermentação. Como vários ingredientes normalmente estão secos, eles devem ser molhados com os 200 litros de fermento preparados inicialmente. Para saber como medir: Pegar um punhado de bokashi bem misturado na mão e apertar um pouco. Está bom se não escorrer água e formar um bolo macio, fácil de ser desmanchado novamente. Não pode ser colocado água em excesso porque o Bokashi apodrece ao invés de ter uma fermentação correta. O segredo dele é a fermentação.

8. Começar novamente colocando a terra ou composto, e repetir todos os outros ingredientes mais 3 vezes. Uma sugestão é colocar todos os ingredientes por 4 vezes conforme sugestão acima.

9. No segundo dia depois de montado o Bokashi, dar vários tombos misturando todos os ingredientes, e em seguida ensacar tudo, deixando o saco aberto um do lado do outro para ocorrer a fermentação dentro de um galpão.

10. No verão, o adubo fica pronto em 7 dias. No inverno, leva de 10 a 15 dias para ficar pronto. Cuidar para que o calor não passe dos 50 graus no meio do sado. Se for preciso, recoloque os sacos deixando um espaço entre eles para circular um pouco de ar.

11. Após a fermentação, o ADUBO BOKASHI pode ser guardado amontoado em local coberto e seco por no máximo 3 meses. Depois de pronto a umidade não deve passar dos 13%. Caso esteja úmido, dá para secar um pouco na sombra.


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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