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( 29/01/2008 ) UBV capta cenas para documentário sobre a proposta agroecológica
 


Åsa ( pronuncia-se Ôssa) Malmström e Lena Zetterström são muito mais do que escandinavas com nomes complicados e cheios de consoantes. Elas fazem parte da UBV – Cooperação Técnica Sueca, organização que trabalha na Suécia e América Latina em parceria com entidades e movimentos populares latino-americanos.
Nos dias 25 e 26 de janeiro, Lena - coordenadora de programas da UBV Brasil e Åsa – que em outubro visitou propriedades produtoras de cana-de-açúcar nos estados do Maranhão e São Paulo, estiveram no litoral norte do Rio Grande do Sul captando cenas na Coopet ( Cooperativa de Consumidores Ecologistas de Três Cachoeiras), na propriedade da família Fernandes e na Feira Ecológica Lagoa do Violão. O objetivo é mostrar para os suecos um documentário sobre a agroecologia no Brasil. A seguir, algumas impressões a partir do que elas viram por aqui:

Qual a proposta do filme que vocês estão fazendo?

Lena - Estamos fazendo este filme mostrando a agroecologia, a proposta que está acontecendo aqui, mostrando que o Brasil hoje em dia tem uma boa experiência disso, divulgando isso como uma alternativa real a esse comércio internacional que está acontecendo com os produtos alimentícios, com as transnacionais tomando conta do que a gente come no nosso dia-a-dia.

Onde e quando começou esse filme?

Começou no RS nessa semana, em Passo Fundo, com o Cetap( Centro de Tecnologias Alternativas Populares), nas comunidades quem eles trabalham no norte RS e fronteira com SC.
Ontem ( sexta-feira, 25 de janeiro)de manhã fomos na Coopet e à tarde no Tobias ( propriedade de Luiza, Terezinha, Paulo e Tobias Fernandes). Lá no Cetap visitamos cinco propriedades de produção agroecológica.

Como foram escolhidos os temas a serem gravados em cada local?

Lena - É que cada entidade que faz parte do Programa ( contribui com sua parcela. Então nós temos dividido um pouco as entidades entre os locais e os assuntos, já que agroecologia é um assunto bastante complexo e cada grupo vai apresentar uma parte disso: Cetap Centro Ecológico e MST.

Este filme faz parte do Programa (Programa de Incidência Popular para um Desenvolvimento Rural Agroecológico no Brasil*) ?

Lena - Estamos fazendo fora do programa, não foi previsto, mas quando a oportunidade surgiu, com o trabalho da Åsa, que é pago pela UBV, a gente sentiu que isso talvez seria a parte mais priorizada para nós aqui. Discutimos isso com o grupo gestor do programa, com a Terra do Futuro, todas as entidades envolvidas e eles acataram a idéia, acharam interessante e cada um preparou a sua parte. O Cetap entrou com metodologia, com produção. Aqui com Centro Ecológico como o projeto de vocês é mais vinculado à comercialização, a gente escolheu esta parte aqui. No MST Bahia com certeza vamos trabalhar a reforma agrária como condição de produção da terra.

Quais serão as próximas entidades a serem visitadas?

Lena - MST na Bahia, MST em Pernambuco, CPT ( Comissão Pastoral da Terra) do Nordeste que trabalha em quatro estados – sendo que o projeto deles é entre os agricultores agroecológicos do sertão do semi-árido mesmo da Paraíba , e agricultores vizinhos da cana- de açúcar , das grandes monoculturas de cana em Pernambuco- no litoral, e eles têm um intercâmbio entre si: os do sertão trazendo os outros para uma opção agroecológica. E aí tem apicultura, tem o envolvimento das mulheres com as farmácias vivas, entra essa parte da saúde, da diversidade dos produtos. E depois tem a Fundação Cepema, que trabalha no sertão do Ceará,introduzindo agrofloresta em cinco assentamentos da reforma agrária lá. Eles vão trabalhar metodologia também, conhecimento tradicional do agricultor trazido e metodologia de agrofloresta.

Aqui o mais chamou atenção de vocês aqui na região?

Åsa -Não tenho muita referência porque estou conhecendo agora a agroecologia. Para mim tudo está sendo uma novidade. Estou gostando de conhecer, mas não posso dizer o que mais me chamou a atenção.

Lena - Eu que já andei em varias áreas, tanto agroecológicas, como não, o que chama atenção para nós lá,é que aqui a agroecologia está bem estabelecida, entre os agricultores e também entre os consumidores, bem amadurecida, consolidada. Já passou por várias fases. Claro que tem uma grande parte da população que não está nem aí para isso, tem ainda muito que fazer. Mas por exemplo, a propriedade a gente passou a tarde ontem, é muito completa, o pessoal lá é muito comprometido. É uma coisa que impressiona, qualquer um que vai pra lá fica empolgado, inspirado por isso. Tem também a visita pela feira, pelas cooperativas, você vê que tem já uma estrutura bem diversificada em vários pontos da sociedade trabalhando em prol de uma outra sociedade.

Como vocês vêem o consumo de produtos ecológicos aqui, comparado ao consumo da Suécia?

Åsa - A primeira coisa é que aqui são mais baratos, os produtos ecológicos.

Quanto mais ou menos?
Åsa - Ah, muitas vezes mais barato, mas eu não sei, na verdade, quanto mais barato. E também o contato que tem na feira com o produtor é diferente, porque lá tudo é vendido no mercado.

Não tem feiras?

Åsa - Tem, mas é tudo mais dificil. Então é o contato com o produtor, o preço, a variedade. Tem uma grande variedade de frutas, legumes, que não tem lá, por causa do clima. Então aqui tem muita potencialidade.

-E tu que não conhecias a proposta agroecológica, o que parece para ti agora?

Åsa -É uma proposta que me parece muito boa, e que eu gostaria de promover com o filme que estamos fazendo. Eu gosto de fazer um filme propositivo, que não seja somente denúncia, como o do etanol . Comparando os canaviais de cana –de-açúcar com estas propriedades agroecológicas daqui, isso aqui é outro mundo, é o paraíso. Aquilo lá parece um inferno para o trabalhador.

O filme já tem nome?

Lena –Por enquanto um nome de trabalho: Agroecologia alternativa para zona rural brasileira ou alternativa ao modelo de agronegócio. Espero que os suecos possam entender a proposta a da agroecologia, que a gente através do filme possa transmitir.


*Na Serra e no Litoral Norte do RS, a UBV, juntamente com a Framtidsjörden - Rede Terra do Futuro, apóia o projeto Agricultura Ecológica - Ampliação e Qualificação. Este projeto integra o Programa de Incidência Popular para um Desenvolvimento Rural Agroecológico no Brasil, uma iniciativa coletiva de sete organizações da sociedade civil – duas da Suécia e cinco do Brasil. A UBV – que tem convênio com a Sida – é proponente formal e principal responsável pelo programa. As demais entidades – Centro Ecológico, Cepema, Cetap, CPT, MST e Rede Terra do Futuro - participam como parceiras igualitárias e co-responsáveis.

Foto: Lena e Åsa na Feira Ecológica Lagoa do Violão, em Torres.


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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