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( 15/07/2004 ) Seminário Agricultura, Saúde e Meio Ambiente desperta reflexão sobre realidade rural
 


Enquanto a agricultura convencional depende cada vez mais de insumos industriais e contamina cerca de 5 milhões de agricultores por ano, dizima a biodiversidade, aumenta as pragas e produz alimentos de baixa qualidade, a agricultura ecológica vem mostrando resultados reais que comprovam sua superioridade tecnológica.

Esta foi uma das muitas informações interessantes e pertinentes à realidade do litoral norte do Rio Grande do Sul e Sul de Santa Catarina, apresentadas durante o Seminário Agricultura, Saúde e Meio Ambiente, realizado no dia 13 de julho, para um público inscrito de 320 estudantes, professores, professoras, técnicos, agricultores e agricultoras, que lotaram a Sociedade Esportiva de Morrinhos do Sul durante todo o dia.

Os palestrantes convidados eram o médico toxicologista e mestre em epidemiologia de agrotóxicos -Lenine Alves de Carvalho e o engenheiro agrônomo e florestal Sebastião Pinheiro. A primeira fala, contextualizando os participantes nos problemas e dasfios ambientais da atualidade, foi do agrônomo da equipe técnica do Centro Ecológico - André Gonçalves.

De acordo com o trabalho realizado por Sebastião Pinheiro, a Sigatoka Negra, que atualmente ameaça produtores de São Paulo e Paraná, foi controlada através do manejo agroecológico e do uso de biofertilizantes em países da América Central: é a tecnologia de ponta mais avançada que existe ,e não é feita por grandes empresas, e sim por pequenos agricultores. Para o agrônomo, qualquer agrotóxico utilizado, em qualquer quantidade, altera o equilíbrio do solo, da planta e da natureza como um todo. São produtos químicos perigosos, que demandam muito conhecimento e cautela por parte do usuário. Na Alemanha, um agricultor precisa de um curso de capacitação de 80 horas para ser autorizado a usar agrotóxicos. Na inglaterra são ncessárias 120 horas de capacitação, enquanto no Brasil qualquer veneno é acessível a qualquer pessoa.

O descontrole e a falta de conhecimento sobre os venenos vem transformando muitos agricultores e agricultoras em vítimas da depressão e de outras doenças mais freqüentes no meio rural. Os suicídios no Sul do país também são mais numerosos: de 8 a 10 casos em cada 100 pessoas, contra 4 casos em cada 100 pessoas no restante do país. E o sul do Brasil, especialmente o Rio Grande do Sul, foi a porta de entrada da Revolução Verde- que trouxe o uso de venenos para nosso país. O médico Lenine Alves de Carvalho alerta para os sintomas de intoxicação, como tosse, naúsea, diurese involuntária, defecção invluntária, contrações musculares e diz que todo intoxicado deve ser levado ao hospital e que quem lida com estes produtos deve ter sempre consigo o número do telefone do CIT - centro de Informações Toxicológicas.


O Seminário Agricultura Saúde e Meio Ambiente, foi promovido pelo Centro Ecológico e Prefeitura de Morrinhos do Sul, com o apoio da ACERT, APEMSUL, Grupo Ecológico Costa Verde, Grupo Ecológico Rio Bonito, MMC - Movimento das Mulheres Camponesas, MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Morrinhos do Sul e Emater - RS.

Esta atividade está no âmbito do Programa Consolidando Circuitos de Produção, Processamento e Circulação de Produtos Ecológicos, com recursos da Secretaria da Agricultura Familiar, Ministério do Desenvolvimento Agrário.


   
 

Cursos

12/11
Extrativismo e Sistemas Agroflorestais - aspectos legais
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

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