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( 24/07/2007 ) Consumidores da Coopet relatam Encontro da Rede Ecovida
 


Nos dias 17, 18 e 19 de julho, um grupo de consumidores da Coopet – Cooperativa de Consumidores de Produtos Ecológicos de Três Cachoeiras - participou do 6º Encontro Ampliado da Rede Ecovida de Agroecologia no município da Lapa, Paraná.
De dois em dois anos, a Rede Ecovida promove esse encontro, que reúne agricultores, consumidores, técnicos e simpatizantes da agroecologia da região Sul do Brasil, representantes de outros estados brasileiros e de alguns países da América Latina. Desde que começou a se organizar, na década de 1990, a caminhada da Rede tem sido a de se fortalecer e avançar na construção de alternativas concretas para alcançar uma sociedade mais justa e sustentável.
O desafio para o 6º Encontro era o de reforçar a luta pela construção da agroecologia, fortalecer o processo organizativo e o papel de agentes de transformação da agricultura centrada na monocultura, no agronegócio exportador, no individualismo, na baixa qualidade dos alimentos e na degradação ambiental.
Na abertura do encontro duas presenças marcantes: o teólogo Leonardo Boff e o cientista político Plínio de Arruda Sampaio.
Leonardo Boff abriu o encontro falando sobre A Carta da Terra, os desafios para colocarmos em prática os princípios que a norteia. Falou ainda da necessidade urgente de revermos nossos projetos de vida para que o nosso planeta continue vivo.
Plínio de Arruda Sampaio analisou a conjuntura atual, fazendo a todos os presentes um apelo para fortalecer a luta pelo projeto em defesa da VIDA, contra os que defendem o projeto da morte, que são as grandes multinacionais e os ricos do mundo. Por fim, Plínio defendeu a reconstituição do Abaixo Assinado Nacional pala Reforma Agrária com o objetivo de atingir no mínimo um milhão de assinaturas.
Diversas oficinas, seminários e painéis sobre diferentes temas foram realizados.
No final, foram colocadas em apreciação e aprovadas diversas propostas, elaboradas durante as oficinas e seminários, para o fortalecimento da caminhada em Rede. Foram escolhidos os coordenadores para o próximo período, sendo o agrônomo Laércio Meirelles, coordenador do Centro Ecológico, quem representará o Núcleo Litoral Solidário.

SEMENTES TERMINATOR
O painel da agronôma Maria José Guazzelli abordou a questão das sementes suicidas ou terminator, o que nos chamou bastante atenção, pois até então pouco tínhamos ouvido falar sobre tais sementes. O que são , então as tais sementes?

A tecnologia Terminator refere-se a plantas que foram geneticamente modificadas para tornar as sementes estéreis quando da colheita. Sementes que não brotam nunca. Foi desenvolvida nos EUA pelas indústrias multinacionais de sementes e agroquímicos ( agrotóxicos, adubos químicos) para evitar que os agricultores replantassem suas sementes, pois com isso as indústrias perdem dinheiro.
Essas sementes ainda não podem ser plantadas. Estão sob moratória internacional. Mas até quando os governos resistirão às pressões da indústria multinacional de biotecnologia pela tecnologia das sementes estéreis?

Por que ela é um problema para os agricultores?
Os agricultores, principalmente os pequenos, tem como fonte principal as sementes guardadas de seus próprios cultivos. As sementes terminator forçarão a dependência de fontes externas impedindo a prática da troca de sementes e a sua seleção natural. Pior, se um pequeno agricultor, que usa sementes crioulas – que preserva genes importantes transmitidos de geração em geração - tiver sua plantação contaminada pela tecnologia Terminator através do fluxo de pólen de um cultivo vizinho, os genes Terminator vão impossibilitar as sementes crioulas de germinarem.

Esse tipo de contaminação transgênica já aconteceu e continua ameaçando a agrobiodiversidade agrícola. Em centros de diversidade gentética os casos são mais graves ainda. Há estudos que confirmam que o DNA do milho transgênico já contaminou as variedades nativas de milho cultivadas por camponeses indígenas no México. Os defensores da tecnologia Terminator dizem que este sistema será mais seguro ( só se for para as indústrias), mas cientistas assinalam que não será 100% efetiva ou confiável como ferramenta de biocontenção devido às probabilidades de falhas em seu sistema.

Por que ela é um problema para os consumidores?
As 10 maiores companhias de sementes do mundo controlam a metade do mercado mundial de sementes. Se o uso do Terminator for aprovado, certamente que essas indústrias irão colocar os genes da esterilidade em todas as suas sementes, pois a esterilização genética lhes garantirá um monopólio muito mais forte de suas patentes. Lembrando as palavras do agrônomo Sebastião Pinheiro, isso significa que as grandes indústrias de sementes e agrotóxicos do mundo é que vão decidir, em nível mundial, “quem vai comer, onde e por quanto.”


Quem tem a patente dessas sementes??
O departamento de agricultura do EUA, e a Delta & Pine Land ( Syngenta, Du Pont, BASF e Monsanto).

Para saber mais sobre o assunto consulte o site www.banterminator.org de onde copiamos diversas informações dessa matéria.

COOPET E CENTRO ECOLÓGICO E AS EMBALAGENS ALTERNATIVAS

Na oficina Embalagens Alternativas: opções para uso de plásticos biodegradáveis e materiais recicláveis, descobrimos que há a possibilidade de diminuir a agressão ao meio ambiente usando as Sacolas Ecológicas. Essas sacolas tem como pressuposto a inversão do plástico convencional pelo oxi -biodegradável que em aproximadamente 18 meses se degrada. O plástico convencional, das sacolinhas e tantos outros “ utensílios” do nosso dia-a-dia demora mais de uma centena de anos na natureza para se decompor.
A COOPET e Centro Ecológico já estão fomentando essa possibilidade.

Participaram do Encontro pela Coopet:
Angela Webber Gonçalves, Adelaide Bauer Sebastião, Adriana Bellé, Eraclides Webber Bock, Maura Monteiro


Núcleo Litoral Solidário
A Rede Ecovida conta com 21 núcleos regionais, distribuídos nos três estados do Sul do Brasil. Seu trabalho congrega, aproximadamente, 200 grupos de agricultores, 20 ONGs e 10 cooperativas de consumidores. Em toda a área de atuação da Ecovida, são mais de 100 feiras livres ecológicas e outras formas de comercialização. Em nossa região formamos o Núcleo Litoral Solidário, do qual fazem parte os grupos e associações de agricultores ecologistas, as cooperativas de consumidores, agroindústrias e o Centro Ecológico, como entidade de assessoria técnica.
O que é a Rede Ecovida de Agroecologia?
É um espaço de articulação de agricultores familiares, técnicos e consumidores reunidos em associações, cooperativas e grupos informais que, juntamente com pequenas agroindústrias, comerciantes ecológicos e pessoas comprometidas com o desenvolvimento da agroecologia, se organizam com o objetivo de:
• Desenvolver e multiplicar as iniciativas em agroecologia;
• Estimular o trabalho associativo na produção e no consumo de produtos ecológicos;
• Articular e disponibilizar informações entre as organizações e pessoas;
• Aproximar, de forma solidária, agricultores e consumidores;
• Estimular o intercâmbio, o resgate e a valorização do saber popular;
• Ter uma marca e um selo que expressam o processo, o compromisso e a qualidade.
www.ecovida.org.br


   
 

Cursos

20/11
Plenária do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia
21/11
Curso Princípios Básicos em Agricultura Ecológica


 

Ipê-Serra - Rua Luiz Augusto Branco, 725 - Bairro Cruzeiro / Cep: 95.240-000 / Ipê - RS / Fone: 0xx (54) 3233.16.38 / E-mail: serra@centroecologico.org.br
Litoral Norte - Rua Padre Jorge, 51 / Cep: 95.568-000 / Dom Pedro de Alcântara-RS / Fone/fax: 0xx (51) 3664.02.20 /E-mail:litoral@centroecologico.org.br