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( 13/11/2018 ) "A escola deve ser um convite a um mundo mais interessante"
 

Foto: assessoria de Guy Barcellos

Oito meses depois do primeiro encontro de 2018 da Teia de Educação Ambiental Mata Atlântica, o professor Guy Barcellos voltou ao Centro de Pastoral em Dom Pedro de Alcântara, na quarta-feira, 7 de novembro, para mais uma tarde de formação, desta vez com professoras de cinco escolas da rede pública de Três Cachoeiras e Morrinhos do Sul. Se em março o professor desconstruiu conceitos da escola tradicional e apresentou diversas metodologias de pesquisa, nessa etapa ele destacou que "a escola deve ser um convite a um mundo mais interessante".

"Ele quis dizer que o professor tem que fazer uma boa provocação: uma apresentação teatral, uma saída de campo, um musical, um bom filme, uma boa aula, bem dada, com slides bem feitos, até mesmo estar caracterizado se referindo ao que ele vai falar", explicou Adriane Lippert Bittencourt. Conforme o relato da professora, além de instigarem o aluno a pesquisar, essas oportunidades que a escola apresenta, a maioria dos alunos só terá acesso na escola.

"As vezes a gente tem que fazer um apelo ao clássico, voltar ao bom gosto, fazer nosso aluno voltar a apreciar as coisas boas do estudo da arte", ponderou Simone Machado de Oliveira. No entendimento da educadora, depois de apresentado a esses conhecimentos, o aluno até pode dizer "não gosto de ópera, não gosto de teatro", mas ele teve oportunidade de fazer uma boa peça teatral, de ouvir músicas eruditas.


Como iniciar um trabalho de pesquisa com as crianças

Em relação a projetos de pesquisa como caminho qualificado na educação, as professoras relataram que Guy apresentou o passo a passo, que começa por desenvolver o interesse dos alunos com o tema, seguido pelo levantamento das informações, a fundamentação teórica, a opção metodológica para obtenção dos dados, a coleta e o processamento de dados. Por fim, vêm a análise da relevância e da originalidade do que foi produzido.

Conforme a professora Simone, diante da diversidade de descobertas ao longo de uma investigação, é muito importante ter esse projeto bem formalizado com o aluno, ou com o grupo, para saber exatamente "de onde a gente vai partir, o que a gente quer saber e onde a gente quer chegar".

Para a professora Elaine Magnus Schwanck, assim formalizados, os projetos de pesquisa incentivam o alunos a pensar e investigar a informação. "Afinal, é um método pouco trabalhado nas escolas (os projetos de pesquisa) e quando isso acontece, se nota que há muita cópia e pouco esforço por parte dos alunos". 

Escolas participantes

De Três Cachoeiras, participaram dessa etapa de formação a Escola Municipal de Educação Infantil Abelhinha, Escola Municipal de Ensino Fundamental Fernando Ferrari e Escola Estadual de Ensino Fundamental Dom José Baréa. De Morrinhos do Sul, a Escola São Jorge e Escola João Steigleder. A Teia de Educação Ambiental Mata Atlântica e o Centro Ecológico têm uma parceria desde 2005, quando a rede de educadores foi formada dentro de um projeto implementado pela ONG no Litoral Norte/RS.

No relise enviado pelo professor Guy Barcellos, ele explica o propósito desse minicurso que as professoras da Teia de Educação Ambiental Mata Atlântica iniciaram em 14 de março de 2018:

Este minicurso visa a propiciar formação docente para o desafio de desenvolver projetos de pesquisa como método de ensino-aprendizagem, e a renovação didática visando a fomentar a alfabetização científica e aumentar a dialogicidade das aulas. Busca-se, portanto, trâmite o diálogo e o pensamento complexo, desenvolver uma práxis que coloque o aluno como protagonista da investigação, cujas temáticas devem partir do tensionamento de seus interesses com os conteúdos apresentados pelos docentes.
O problema de pesquisa poderá emergir das realidades nas quais se inserem os alunos e as tentativas de respondê-los serão os fios conectores aos saberes/conteúdos, uma vez que conhecimento epistêmico é imprescindível para a pesquisa. Ademais, será abordada a importância da transformação do sentido de aprendiz agem tradicional: [conteúdos -> realidade], para um novo paradigma de complexidade: [realidade <-> conhecimento científico/saberes populares], este com caráter emancipatório e dialógico, lançando mão de diversos métodos e abordagens teóricas.

Também serão debatidos desafios, como o de, por exemplo, contemplar ciência e cultura em sala de aula, explicitando sua unidualidade no processo de hominização-humanização. Destarte, a importância de ensejar momentos de compreensões sobre epistemologia da ciência, visto que se visa a orientar professores que sejam capazes de estimular o pensamento complexo e a curiosidade epistêmica.

Trata-se, portanto, de um convite a refletir sobre alfabetização científica e pesquisa como meios para desconstrução do conteudismo racionalizante, raso, meramente informativo, dogmático e autoritário, partindo para um mundo menos estruturado/estruturante e nebuloso do pensamento complexo, diálogico e humanizante, que acopla novos conhecimentos e estimula a criatividade, conduzindo alunos e professores na tarefa pivotal da educação: cristalizar as informações líquidas e superaceleradas da contemporaneidade em conhecimento (po)ético que transforma seus mundos interiores e exteriores.





   
 

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