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( 11/04/2018 ) Butiazal em Torres se despede até a próxima safra
 

Daqui a poucos dias, abril se despede e, junto com ele, os últimos cachos de butiá da safra iniciada no final de novembro de 2017, na propriedade de Marta Bergamo, a cinco minutos do Centro de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. "Dia sim, dia não, ainda tem uns três cachinhos", diz a agricultora, que durante o verão chega a colher entre 18 e 20 quilos por dia.

Nesse período de alta temporada, 56% do aproveitamento dos frutos é destinado à produção de polpa para suco. Para fazer 11 quilos, são necessários 20 quilos de fruta. Antes da despolpa, feita de 15 em 15 dias, Marta seleciona, lava, sanitiza e congela os frutos que serão descongelados conforme os pedidos, mas normalmente são 90 quilos por vez.

A agricultora conta que as primeiras vendas foram para a Feira Ecológica (Torres), as cooperativas de consumidores Ecotorres e Coopet (Três Cachoeiras), amigos e pessoas próximas. "Acredito muito nisso, nesse comércio local. Claro que com seminários, encontros, oficinas, a gente vai fazendo vínculos com pessoas mais distantes. Pelo circuito da Rede (Ecovida), já vendi polpa que foi pra Caxias ou Santa Catarina". Junto com quatro famílias, a agricultora faz parte do grupo Ecotorres do José, certificado como orgânico pela Rede Ecovida de Agroecologia (rede de fomento à agroecologia com núcleos nos três Estados do Sul do Brasil).



ONGs iniciaram resgate do cultivo
Os seminários, encontros e oficinas a que Marta se refere são parte do trabalho de resgate do cultivo e uso de frutas nativas do Rio Grande do Sul iniciado por ONGs de assessoria técnica como o Centro Ecológico, e apoiado pela Rede Ecovida e a Cadeia Solidária de Frutas Nativas. Mais recentemente os chefs do Movimento Slow Food - que priorizam o alimento produzido pela agricultura familiar, de forma justa e sustentável – usam cada vez mais as frutas nativas no preparo de pratos fáceis e nutritivos, e o butiá é uma dessas frutas.

Isso porque, de acordo com as pesquisas bibliográficas do engenheiro alimentar Josué Martins, todas as espécies de butiá apresentam características importantes para uma alimentação saudável. Alguns com altos níveis de potássio, outros com grandes quantidades de vitamina C, além de fibras. "Consumir o butiá da agricultura familiar é valorizar a nossa cultura e proteger a nossa biodiversidade, nutrindo tanto o corpo como a alma", diz o mestrando em Ciência e Tecnologia de Alimentos.

Um presente do Catarina
Quando conta a história do butiá em sua propriedade, Marta se emociona por vários motivos. Primeiro, porque faz parte da própria história dela como produtora de alimentos – ela era enfermeira ainda quando começou a pesquisar e trabalhar com o fruto. Depois se aposentou.

Segundo, porque a área onde hoje é o butiazal era ocupada por um eucaliptal, derrubado pelo furacão Catarina em 2004. Inicialmente ela o marido Fernando Hover tentaram substituir os eucaliptos, sem sucesso, por palmeira real. "Aí veio uma história que eu considero um presente. Eles têm um tempo certo de dormência, se eles não têm aquela condição certa de luz, sol, eles não crescem. Tinha muita sombra (com o eucaliptal), as sementes estavam lá, tudo nativo".

Conforme as observações de Marta, vários insetos circulam no butiazal, onde tem também algumas abelhas. Mas o que ela acha mais interessante é que é uma palmeira nativa da América do Sul, da mata primária do planeta, portanto existe há milhões de anos. "A pesquisadora Rosa Lia Barbiere, dedicada à genética, disse que eles se alimentam por um outro canal, colhem naquelas espátulas ao redor os nutrientes, também do ar, e quando bate a chuva sofre um processo de deterioração e corre pra raiz, ela se auto-aduba".


   
 

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