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( 27/02/2018 ) Resolução da CTNBio legaliza manipulação da vida silvestre, movimentos sociais rechaçam
 


Uma resolução aprovada em janeiro de 2018 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), fez do Brasil o primeiro país do mundo a ter um canal legal para liberação de condutores genéticos (gene drives) no meio ambiente. Na prática, isso significa que agora a manipulação de plantas e animais selvagens está dentro da lei.

Os condutores genéticos são uma tecnologia que consegue transmitir um caractere genético a uma população ou espécie inteira - em alguns casos com o objetivo de extinguir essa espécie. Atualmente, os condutores genéticos são aplicados a insetos, roedores e plantas. Se o traço genético inserido resultar apenas em descendentes masculinos, como é tentado para ratos e mosquitos, populações inteiras ou mesmo espécies podem se extinguir. Uma vez que são considerados uma arma biológica potencial, até onde se sabe, condutores genéticos nunca foram lançados no meio ambiente em qualquer lugar do mundo.

De acordo com 1.200 mensagens de e-mail publicadas via pedidos de acesso a informação por várias organizações da sociedade civil, o exército dos Estados Unidos é um dos principais financiadores da pesquisa em condutores genéticos no mundo. Eles reconhecem que a tecnologia pode servir como arma biológica, mas afirmam que seu interesse é apenas defensivo. O segundo maior financiador dessa tecnologia é a Fundação Bill e Melinda Gates, que afirma que seu apoio é usado para lutar contra pragas, como os mosquitos que transmitem a malária, criando somente mosquitos machos para extinguir a população.

Os movimentos populares no entanto, afirmam que serão as corporações gigantes do agronegócio que se beneficiarão, porque poderão manipular as plantas que se tornaram resistentes aos herbicidas (espécies que assumem como ervas daninhas) para restaurar sua vulnerabilidade a agrotóxicos. Corporações "poderão invadir campos e mercados com novos produtos geneticamente modificados, sem avaliações de risco, regulamentos ou rotulagem, o que lhes permitirá comercializar seus produtos de forma mais rápida e aumentar seus lucros".

Por essa razão, depois de um encontro nos dias 3 e 4 de fevereiro perto de São Paulo, os movimentos e organizações, dentre esses o Centro Ecológico, assinaram uma carta aberta na qual rejeitam "enfaticamente a Resolução Normativa do CTNBio 16/2018, que busca legalizar e liberar sem regulamentação, avaliação ou rotulagem de novos organismos transgênicos que terão impactos sobre as camponesas e os camponeses, a soberania alimentar, a saúde e o meio ambiente. Denunciamos e rejeitamos que o CNTBio também pretende legalizar a liberação de "condutores genéticos" - organismos transgênicos que poderiam ser usados ​​para extinguir espécies e como armas biológicas.

Clique para ler a Carta de repúdio dos movimentos sociais, rurais e associações


   
 

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